Motelx 2008: Sheitan (****)

Na mesma secção do anterior, no último dia passou Sheitan, de Kim Chapiron. Mas mais do que ser o primeiro filme deste, é uma produção e interpretação do grande Vincent Cassel, e isso vê-se e sente-se do primeiro ao último minuto. De novo, o formato clássico do terror rural, um grupo de jovens citadinos, também miscegenado (a França olha para a sua diversidade como nunca antes), vê-se numa quinta em terra de ninguém, a convite de uma das jovens. E aqui o horror virá de Joseph, o patusco caseiro da propriedade, que tão depressa se ri como louco como defende os animais em vias de extinção. A realidade mostrará que Joseph é um louco psicopata, com uma família a acompanhar, a começar pela sua mulher, perdão, irmã. Na prática, a coisa resume-se ao Diabo à solta (assim com maiúscula, há que ter respeitinho). E na prática também, a coisa está determinantemente marcada por Cassel, que rouba o filme para si, criando um personagem fabulástico. Joseph é demente mas simpático, alucinado, sorriso de orelha a orelha e andar rude, explosões de fúria inesperadas e desequilíbrio evidente. E ainda há uma estranhíssima e oferecida Julie-Marie Parmentier, promessa quase certeza do cinema francês, que dá uma ajuda. Kim Chapiron, por sua vez, aproveita as ajudas e desenvolve uma comédia negra que não mete medo a ninguém mas tem solidez suficiente para ser levada a sério, seja no ambiente criado (veja-se uma colecção de bonecas espantosa que não tem qualquer papel, assim quebrando o previsível) seja no resultado gore da coisa, seja na estética criada, com planos espertalhuços aqui e ali, vincando o filme de forma suficiente. Sheitan é um excelente sinal do terror francês, e uma enorme promessa de Cassel enquanto produtor, já que Joseph é uma certeza que se cumpre. Assim não há Natal que não mereça o seu Diabo (assim com maiúscula, há que ter respeitinho).