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O Animatógrafo vota no falso Sarkozy

O Animatógrafo vota Sarah Silverman

Vénia do dia: 5 Friends

O golpe do veterano, a reza da feiticeira, o dinheiro da malta

Ao rubro. Ainda nenhum debate presidencial teve lugar nos EUA e já a situação está ao rubro. Esta tarde John McCain suspendeu a sua campanha. Diz o republicano que a situação está difícil, que é preciso trabalhar em prol da proposta de Bush para ajudar o sistema financeiro e que, assim, regressa a Washington à procura de um consenso. Apela a Barack Obama para que faça o mesmo. Assume que não está disponível para o debate de sexta-feira, o primeiro. O veterano McCain, a perder terreno de dia para dia nas sondagens, ataca forte tentando liderar a campanha e marcar a agenda mediática a seu favor, procurando inverter a lógica da realidade. E a posição de Obama não era fácil: ou aceitava o adiamento do debate e dá parte fraca, ou mantém posição e corre o risco de parecer pouco preocupado com o futuro da nação. Obama fez a única coisa que podia e devia: está a esta hora presente na reunião com Bush, mas afirmou antes que mantém intenção de debate e que é agora, precisamente agora, que os americanos têm e devem ouvir quem vai ter que lidar com a situação daqui a quarenta dias. McCain, perante um debate que inevitavelmente vai focar o estado da economia (ainda que o tema "oficial" seja política externa), bateu em retirada sabendo que dali não viria nada de bom. No mesmo dia, exactamente no mesmo dia, surge um vídeo de Sarah Palin (quem mais?) a rezar contra a feitiçaria e Satanás. É mais uma acha para uma fogueira que se virou contra os republicanos, mas tem a sorte de aparecer no dia em que menos importava. No fim de contas, os republicanos viram o efeito da convenção desvanecer-se e Obama voltar a ganhar a dianteira nas sondagens, e desesperam. No entretanto, a maior ironia alguma vez vista para lá don Atlântico: a maior economia de mercado do mundo, alicerçada no liberalismo mais feérico e na quase total ausência sequer de regulação, vê-se à rasca. E quem vai em auxílio é o contribuinte. O mesmo que não tem dinheiro para pagar a hipoteca da casa, ou o seguro de saúde mais básico, num país onde não existe sistema nacional de saúde. Bush quer a aprovação de um pacote que prevê a utilização de milhões sem vista, num volume 50 por cento superior a todo o dinheiro que o FMI já gastou na história. O mesmo Bush que durante dez anos não quiz saber do crescimento (ou sequer existencia?) do sub-prime, que minou qualquer tentativa de controlo da economia, que olhou para o território como terra livre de constrangimentos e preferiu ir ocupar países sem armas de destruição maciça, o mesmo com uma paranóia securitária que levou milhões de dólares para a morte de jovens do outro lado do mundo. É verdadeiramente fascinante ver o maior idiota de todos os tempos na Casa Branca querer agora dar ares de Estaline e controlar uma situação que ainda ninguém conseguiu estimar na totalidade, comprando dívidas que ninguém sabe avaliar e intervindo numa economia habituada ao laissez faire, laissez passer em estilo rodeo engravatado. Ironia da história, o sonho americano é agora alvo de intervenção. Caro senhor McCarthy, prenda-o: ele é comunista.

Pieter-Dirk Uys

O Animatógrafo tem visto algumas sessões do Queer Lisboa 2008, na última semana. Não se tratando de uma cobertura efectiva como habitual (veremos apenas cinco filmes), ainda assim há coisas que merecem relevo. Uma delas é Pieter-Dirk Uys. Revelado aos nossos olhos esta tarde em Darling, documentário realizado pelo australiano Julian Shaw, Pieter-Dirk é uma personagem fascinante. Na origem de Darling! está precisamente o fascínio inicial de Shaw que aos quinze anos viu um espectáculo do sul-africano e ficou ciente que queria fazer um documentário sobre o seu trabalho junto das crianças. Espantado, Uys disse-lhe que fosse ter com ele à Africa do Sul quando fosse mais velho. Shaw cumpriu, apanhou o avião e andou atrás de Uys numa cumplicidade que se sente a cada frame. Mas para além de um filme muito bom (que inclusivamente passou no Festival de Berlim), o que aqui se quer sublinhar é o próprio artista. Pieter-Dirk Uys é um actor/criador satírico que dedicou a sua carreira aos vírus. Primeiro ao vírus do apartheid, através da criação de Evita Bezuidenhout. Terá sido porventura o primeiro homem a surgir vestido de mulher na televisão nacional, e dos primeiros brancos a condenar o regime que vigorava. Depois do avanço na igualdade racial, Uys têm-se dedicado à consciencialização de crianças para o perigo do HIV/Sida, através de conversas em escolas. Uys conversa com os alunos sobre tudo, começando em si e acabando nas formas de protecção que os pequenos devem ter quando se trata da sua vida. Adicionalmente, Uys terá também sido o primeiro a utilizar a palavra "genocídio" para caracterizar o resultado da actuação do governo de Mbeki nos últimos dez anos. Num país devastado pela doença e com um governo que agrava o problema de forma ostensiva (perante a ignorância ou desinteresse do ocidente?), Pieter-Dirk Uys tenta mostrar formas de sobrevivência à geração que mais precisa delas, e fá-lo através de uma raríssima capacidade de comunicação humana, alicerçada na transparência total e na ligação genuína ao outro. Corrosivo, explosivo e subversivo, o artista sul-africano próximo de Nelson Mandela e Desmond Tutu é uma prova enorme de coragem de humanidade. Darling! é não só um extraordinário murro no estomâgo, como o retrato de um ser humano que convoca uma evidente inveja em quem o conhece. Por não sermos, também, assim. (Mais informações sobre Darling! e Pieter-Dirk Uys em http://www.darlingmovie.com.au)

Segurança e o seu contrário

São neste momento 20:28h e o Jornal da Noite da SIC ainda não largou os assaltos, roubos, violência e afins. Os assaltos da noite passada já foram em restaurantes da periferia de Lisboa, onde estavam ainda clientes e proprietários. Churrasqueiras, onde os meliantes levaram, inclusive, a carteira do cliente. O PGR vem mostrar os músculos, como lhe compete, enquanto o Ministério da Administração Interna lança o Secretário de Estado numa posição securitária, para o lado legal da coisa. A "onda", desta feita não mexicana e não em qualquer estádio de futebol, assim obriga. São 20:31h, e a SIC martela. Se há questão que surge aos olhos do público como de interesse público é a da segurança, ou da falta dela. E portanto os media cavalgam. Agosto dá jeito. Agosto, Agostinho, mês rei da "estação xoné". Antes das oito, na SIC Noticias, alguém revelava uma verdade escondida: o volume de crimes violentos, assaltos e etc, está longe do valor, por exemplo, de 2006. Longe, para baixo. Tudo isto me traz à cabeça uma história, também ela não desvelada. Na minha infância, corriam os belos anos 80, era muito comum o suicídio na linha do comboio, nomeadamente na linha de Sintra. Todos os dias a RTP lá estava batida para cobrir a coisa, o carril, a pedrinha onde o tipo tinha caído. Até que a CP fez um pequeno acordo com a então única TV, ao abrigo da qual a RTP se comprometeu a evitar a cobertura noticiosa de suicídios na linha. E por artes mágicas eles desapareceram. Desapareceram mesmo, a partir daí as formas de chegar ao fim da linha passaram a ser outras na cabeça de quem toma a decisão fatal. A segurança é, em termos globais na sociedade, uma sensação. E essa, agora sim, está à mercê de repórteres a precisar de férias, ou de notícias. A "onda" está aí. Daqui por um mês, quando tudo voltar a olhar para o parlamento, e para as eleições presidenciais norte-americanas, e para o regresso às aulas e afins, os meliantes lá terão que procurar alvos diferentes. Porque nessa altura a churrascaria já não dá no Jornal da Noite. A "onda" enrola na areia.

Rob Schneider quer salvar o Miguel

... e nós assinamos por baixo.


The Wizard of Beirut

"I happen to live in a residential quarter in Ras Beirut which has been spared so far Israeli air strikes. My next door neighbour is Nabih Berri, the Shia speaker of the House of Deputies, and a close ally of Hezbollah. There are only three families still living in our building of nine floors. All the others have gone up to the mountains for greater security. I don't propose to follow them."

Em forma de diário, aqui.

Siege of Lebanon

"In Beirut, yesterday, I felt that we are living a war. I was walking through the streets of Hamra, usually pretty quiet and empty at night, except for the restaurants and pubs. But last night, the streets were a little crowded with people taking walks. Most of them were the refugees who flee their homes. Since the forced migration is big in numbers (over 500,000 all over the country), and since many of the public schools, originally used as shelters, are packed and full to the maximum, people are being sheltered in very random locations, all over the city, underground parking structures, garages, small homes or old destroyed empty buildings, old closed cinemas, roofs, family friends."

Para seguir, diariamente, aqui.

60 anos



        ‘O primeiro pensamento de Taeko Teramae quando pressentiu o brilho intenso que se adivinhava na janela foi o de uma beleza incomparável. Mas não chegou a comentar essa impressão com ninguém: instantes depois, a estudante de 14 anos que prestava serviço na companhia de telefones viu-se sozinha, num edifício quase completamente destruído e em chamas, rodeada de cadáveres.
       ”Penso que estive inconsciente durante um longo período. Quando acordei, estava muito escuro e dirigi-me para as escadas. Mas não conseguia descer, porque estava apinhada de corpos. Parecia um pesadelo.” Taeko olhou pela janela e percebeu então que os edifícios em redor tinham sido arrasados e havia chamas por todo o lado. Saltou da janela do primeiro andar para a rua e, como quase todos os sobreviventes, encaminhou-se para o rio mais próximo (Hiroxima foi construída num delta, com sete braços de água distintos).
       Quando lá chegou, encontrou um dos seus superiores na companhia de telefones e ficou surpreendida com a sua expressão de horror. “Tens feridas horríveis”, disse-lhe o homem. Ela não sentia nada, nem dor, nem desconforto, nada. Espantosamente, o homem tinha consigo um estojo de primeiros socorros e ligou-lhe a cabeça, estancando o sangue.
       Junto à margem do rio, outro encontro, agora com a professora, que a incitou a atravessar o rio a nado. A jovem desmaiou a meio, mas foi salva pela professora, que a levou para o outro lado e voltou para trás, à procura de mais alunos. “Nunca lhe agradeci, ela estava também muito ferida e morreu dias depois. Chamava-se Chiyoko Wakida. Tinha 22 anos”.
       Taeko teve mais sorte. Foi transportada para um centro de feridos graves, onde ouviu, dias a fio, os gritos das vítimas, enfraquecendo de hora para hora até ao silêncio da morte. O pai encontrou-a passado uma semana. Levou-a para casa e, quando lhe tiraram as ligaduras, a irmã chamou-lhe “o monstro”. Um dia, quando os pais estavam fora, procurou um espelho. “Foi então que descobri que tinha perdido o olho esquerdo.”
       Para quem estava a apenas centenas de metros do hipocentro da explosão, como Taeko, a esperança de vida não ultrapassava alguns anos. Mas ela resistiu. E ainda se lembra de ter pensado nessa manhã soalheira que, se não fosse a guerra, poderia gozar umas belas férias de Verão.’

Público, 06/08/2005, pag. 6 (a partir do Daily Telegraph)

Papa



Os que me conhecem sabem que estou longe de ser católico (e os que não me conhecem passaram a saber). Mais: sou quase ateu (não vou explicar o quase hoje). E portanto não venho aqui falar do espírito santo, nem da tarefa de evangelização, nem do preservativo, nem do aborto. Na foto que vêem acima, o puto do lado direito, em cima, de preto, ia dar em papa. Mal sabia ele que ia dar em papa. Aqui também não sabia que ia ficar sem família aos 14 anos, e que ia andar a fugir a Hitler, e que ia dar em padre. E não sabia que ia levar tiros e sobreviver, e falar com o gajo que o quiz matar depois disso. E também não sabia que ia tentar falar a uma multidão e não ia conseguir, porque o corpo não lhe ia deixar. Aquela criança não sabia nada disso, e é isso que me comove nesta imagem. É uma criança, premontoriamente vestida de preto, com um ar eslavo ou germânico ou soviético de início de século, com uma face branca realçada pela roupa e pela fotografia. Aquela criança, com um certo ar de fome, pediu desculpa pelas atrocidades da Igreja ao longo de séculos. Olhem bem para a cara dela.

Expliquem-me, sff

Dão-se alvíssaras a quem me conseguir explicar o seguinte texto.


O rito foi-lhes perturbado e essa injustiça histórica deve ser corrigida. A comunidade portuguesa de criptojudeus ("filhos dos forçados a abandonarem a religião") tem que recuperar a sua ligação a Israel com uma "conversão formal ao judaísmo". Num seminário realizado este fim de semana na Sinagoga de Lisboa, o presidente da Shavei Israel, Michael Freund, expressou o desejo da organização judaica responsável pelo encontro "Restaurar esta comunidade, que é imensa em Portugal."
O fenómeno dos Bnei Anussim (designação israelita para criptojudeus) explica-se, segundo Michael Freund, de forma muito simples "Todos sabemos o que foi feito contra os judeus em Portugal no período da Inquisição". Para o presidente da organização, "agora que o País é livre e vive em democracia, faz sentido que as pessoas declarem a sua identidade religiosa e regressem ao judaísmo".
No entanto, regressar não pode ser um caminho "percorrido de um dia para o outro", considera Michael Freund, uma vez que "cada um destes indivíduos tem diferentes necessidades e desejos". Muitos querem explorar intelectualmente a história do judaísmo, outros procuram fazê-lo religiosamente, convertendo-se mesmo.
"Recuperar o sonho" é, então, o objectivo maior da Shavei Israel, que entende poder "ajudar os filhos dos forçados a voltar espiritual e intelectualmente ao judaísmo". Porque, apesar de terem passado muitos anos, "as pessoas mantiveram-se conscientes do seu passado e ligadas a Israel e aos judeus, que têm uma responsabilidade para com os Bnei Anussim".
Discutir o futuro dos descendentes dos "falsos cristãos" é, deste modo, uma necessidade clara para a Shavei Israel e para as comunidades israelitas em Portugal. A realização de outro seminário em Abril, no Porto, marcará definitivamente, para Michael Freund, o "sucesso do projecto da organização no País".
Para o vice-presidente da Hehaver (Sinagoga Ohel Yacov) - também responsável pela organização do seminário -, Danilo Elias Souza, promover a constante ligação entre os grupos e as comunidades judaicas em Portugal é um passo determinante na conquista de um espaço para os "filhos dos forçados". O processo que "transformou a face social do País e promoveu a existência de cristãos de fachada" terminou com o fim da Inquisição e "hoje é urgente restaurar esta comunidade", acrescenta.
Remetidos ao segredo, "os judeus que foram impedidos de viver a sua religião experimentaram uma discriminação inaceitável", considera Danilo Elias Souza. Isto porque "sabiam quem eram mas não podiam deixar que os outros soubessem". Assim, "de dia eram uma coisa e de noite outra".
Não se sabe ao certo quantos criptojudeus existem actualmente em Portugal. E "neste País muita gente se esquece que as suas raízes são judaicas", acusa um membro da comunidade Hehaver. Por isso, "seminários que reunam pessoas que conhecem a história dos Bnei Anussim são desejáveis e muito interessantes para estas comunidades", diz.
No seminário assinalaram-se também os 60 anos da libertação do campo de concentração de Aushwitz. "Uma data que não podia ser esquecida, pelo que representa para a comunidade e para o mundo", explica Michael Freund.
A herança cultural do capitão Barros Basto, que foi "injustamente destituído das suas patentes pelas autoridades militares portuguesas há 70 anos por iniciar o movimento que hoje se celebra" recebeu também grande atenção por parte das dezenas de Bnei Anussim que participaram no encontro."

Porquê

Como é que se explica o que era Auschwitz a uma criança na idade dos porquês?

- "Papá, o que era aquilo?"
- "(glup) Era um campo fechado onde faziam mal a umas pessoas"
- "Porquê?"
- "(e agora?) Porque havia uns senhores maus que não gostavam dos outros, mas agora já não há"
- ""Porquê?"
- "(f***) Porque depois vieram uns bons e prenderam os maus"
- "Prenderam todos?"
- "Sim, prenderam todos"
- "Mas faziam mal aos outros porquê?"
- "(c*****) Porque eram racistas"
- "O que é isso?"
- "É quando não se gosta de alguém por ser de outra raça"
- "Porquê?"
- "(m....) Olha, Joãozinho, tá a dar o Contra-Informação, olha o Bobi e o Tareco, olha!"