There you have it, the longest minute in cunnilingus history...

Ela está de volta. A profeta. Supa Sista. A diva anti-diva. Black Mama. Ursula Rucker está de volta. Quando ouvi "Supa Sista", o album de estreia em 2001, pela primeira vez deu-me vontade de apanhar um avião, sem aviso, e colocar um pé antes do outro, em slow motion, em Filadélfia, e caminhar, em slow motion, nos bairros de subúrbio onde as crianças brincam no jardim do vizinho e saltam debaixo da boca de incêndio que alguém abriu. Quando ouvi "Silver or Lead", de 2003, deu-me vontade de apanhar um avião, sem aviso, e colocar um pé antes do outro, em slow motion, em Filadélfia, e caminhar, em slow motion, pelos bairros de bares esquecidos do fim de tarde, que se lembram do sorriso de Baskiat e emergem, segundos depois, no jogo dos 76s que se arrasta no ecrã ao alto. Ursula é profeta, nao sacerdote. Confiança, não sermão. Liberdade, não hipocrisia. Voz, não som. Ela está de volta, com Ma'at Mama.

Who wants a piece of Old Europe?

O Horror iNominável

Avisa o shôr Nuno Markl (e avisa muito bem) que está criado o primeiro vídeo podcast português (pelas informações que estão disponíveis, claro). Tem o superior título de O Horror iNominável e só podia vir de duas cabecinhas cuja vida é dizer mal dos outros, com piada. Os shôres José de Pina (que agora aparece miseravelmente num talkshow da SIC Comédia mas é, isso sim, um dos cérebros da Contra-Informação ou do Herman Enciclopédia) e Filipe Homem Fonseca (também do Contra-Informação ou de Bocage), para já, ainda só libertaram um trailer. Mas como bom trailer, deixa antever ácido em estado semi-puro, em formato humorístico e, last but not least, em vídeo podcast. Como estas coisas são como são, não me admirava nada que depois isto fosse parar à TV, mas para já é só para gente muito à frente, que sabe o que é e como ver um vídeo podcast. O feed está em http://feeds.feedburner.com/ohorrorinominavel, ou então pesquisem no iTunes mesmo por Horror iNominável que ele aparece, como que por artes de candomblé. Mais coisas, ou para fazer a subscrição de forma automática, ver aqui. Parece que o primeiro episódio aparece lá para quinta ou sexta-feira...

Sim, esta pode ser uma noite histórica

E porquê? Porque a :2 (quem mais?) começa a transmitir nada mais nada menos que duas pérolas, e ainda por cima uma a seguir à outra. Às 22:30h, se a Alberta Marques Fernandes não se esticar muito, há Curb Your Enthusiasm, tida por muitos como a melhor série de comédia pós-Seinfeld (em português, claro, o nome é idiota, chama-se "Calma, Larry"). Às 23h, a série que substituiu Carnivàle na HBO em Outubro passado, de seu distinto e simples nome Rome. Possivelmente esta semana ainda escreverei sobre Carnivale mas espero por Rome como o gajo do barrete preto (e não encarnado) espera pelo condenado. Carnivàle foi, decididamente, a melhor série que vi nos últimos anos e foi suspensa abruptamente ao fim da segunda série, tendo a simpática senhora que fez o anúncio dito que ia ser muito bem substituída por Rome. Vai daí, o condenado pode estar inocente, ser pai de família, dar assistência aos pobrezinhos, ser fiel à sua mulher e temente a Deus que eu não me ralo: vai perder a cabeça à sombra do meu machado, AH VAI! Tirando isso, se a :2 mantiver esta onda de generosidade, pode ganhar audiências jeitosas (leia-se, acima das 10 pessoas por noite) às segundas-feiras, recuperando aquela fase da TV portuguesa em que havia sempre uma série por dia da semana. Às segundas eram X-Files na TVI, antes disso os Simpsons apareciam às quintas na RTP, ande soi on ande soi on. Vamos ver (literalmente).

PS: Chegou-me aos ouvidos que a mesma :2 teria comprado Carnivàle para ecrãs tugas. No entanto, so far népias. Se se confirmar é um dos acontecimentos televisivos do ano, se não se confirmar é só a confirmação da chungice de país que temos. Aproveito para alertar que a primeira série (12 episódios) está disponível em DVD, em Portugal, com o inenarrável título de A Feira da Magia, o que deve ter reprimido todo e qualquer comprador impulsivo (e mesmo alguns ponderados). Mas fechem os olhos e comprem (a caixa de 6 DVDs até nem é cara). É a melhor TV que money can buy. Oh yeah!

Atenção, judeu à vista!

Ora, em relação ao post de ontem (aqui pouco mais abaixo) sobre Alles auf Zucker! uma boa notícia: o filme vai passar ao abrigo do festival de cinema alemão, em Lisboa, no dia 3 de Fevereiro (sexta-feira), no cinema King, pelas 19 horas. Preço do bilhete: 3,5€. O Goethe-Institut, que promove a terceira edição do festival (tal como as anteriores), descreve o argumento assim: "Jaecki Zucker está financeiramente arruinado e a sua mulher ameaça deixá-lo. A solução parece ser a herança da sua mãe que Jaecki poderá receber se fizer as pazes com o seu irmão Samuel, um judeu ortodoxo. O problema é que Jaecki nunca esteve muito próximo da religião dos seus antepassados." Mais informações sobre o evento, todos os filmes, etc, aqui.

Oiçam



Clap Your Hands Say Yeah, Clap Your Hands Say Yeah

A ler com atenção...

... o texto da New Yorker esta semana sobre a primeira comédia alemã que tem os judeus como prato forte. Não, não é nenhum recrudescimento ariano. É lidar de frente com a história. Chama-se Alles auf Zucker!, é realizada por Dani Levy, é centra-se num judeu deprimido após a queda do muro de Berlim. Ao que parece o filme foi um sucesso na Alemanha. Não tenho qualquer informação que apareça por cá, mas como estreia tanta coisa pode ser que sim... O texto, a ler com atenção, está aqui.

Se Beck fosse preto seria Mike Ladd

A ouvir na íntegra o novo album do senhor, Father Divine assim se chama, aqui.

Oiçam



Arctic Monkeys, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not

1940



Esta é uma fotografia da mestre Dorothea Lange, em plena Depressão. Este homem era um apanhador de algodão, um migrant, um de muitos milhares à deriva numa América sem comida nem futuro. A América de Steinbeck. A América do barril de madeira como fato. A América com calos, a preto e branco, ou da cor da terra, do pó. Não sei porquê, mas uma América que sempre me inspirou a maior curiosidade, como que uma dimensão à parte, um bocado do século XX à parte. Este homem apanhava algodão de terra em terra, de sol a sol, de ferida a ferida. 1940.

Exmo. Sr. Presidente da República

demita-se.

Votar Cavaco

Fernando Lemos

Andava há já semanas para ir a Sintra ver a exposição de fotografia de Fernando Lemos e hoje matei a bicha (a fome, entenda-se). Fernando Lemos é dos nomes mais desconhecidos do Surrealismo português, infinitamente mais ignorado que Mário Cesariny, António Pedro, Pedro Oom ou Vespeira. Lemos constituiu a sua obra fotográfica em perto de quatro anos, de 1949 a 1952. Nascido a 1926, Lemos aderiu ao "movimento" quando das exposições do 'Grupo Surrealista de Lisboa' e de 'Os Surrealistas', precisamente em 1949. No Sintra Museu de Arte Moderna, espaço com o cunho de Berardo, estão 117 fotografias que resultaram desse fascínio por Cesariny e companhia. As imagens foram compradas recentemente por Joe Berardo e estão em diálogo permanente até 30 de Abril. Do ponto de vista estricto, Lemos herda dos surrealistas a liberdade, que se pressente na ironia em quase todas as imagens, quer formal quer de conteúdo. Na prática, Fernando Lemos aponta à exploração da técnica fotográfica como modo de representação subjectivo, para lá do objecto fotografado. É assim que a solarização e a dupla exposição da película surgem como métodos de alteração primordiais, criando imagens que criam um novo objecto, herdeiro das duas imagens que compõem a fotografia mas que as transcendem. Da mesma forma, aliás, que o todo não é a soma das partes. Particularidade na maioria das fotografias é partirem do sistema clássico de "retrato" para uma noção nova do mesmo: a da criação de outra identidade. Em quase quatro anos, Lemos fotografou faces de Sophia de Mello Breyner, Marcelino Vespeira, Mário Cesariny, Alexandre O'Neill, Maria Helena Vieira da Silva, José-Augusto França, entre muitos outros. Um dos muitos sentidos extra-imagem que ficam é de um grupo dedicado à liberdade nas suas mais variadas formas, gráficas ou literárias, que constituiu uma tentativa de vanguarda portuguesa, aliás pouco valorizada nos dias que correm. Além de tudo isto, Fernando Lemos fixou imagens ainda que se enquadram em duas categorias: nus femininos, aproveitando a carga erótica dos corpos através da dupla exposição da película ou da cenografia de luz no acto de fotografar, e formas, puxando para a imagem impressa o ponto de vista gráfico do quotidiano que, de outra forma, se teria perdido na afeição do olhar comum à natureza real desse mesmo quotidiano. Na prática, ambas estas são caras aos surrealistas, na medida em que tanto o corpo como a forma foram temas centrais na sua actividade, pelo que eram territórios por explorar, pelo menos do ponto de vista de um olhar moderno. Sobre a exposição há a dizer que é particularmente bem estruturada, na medida em que são intercaladas com as fotografias outras obras, de autores surrealistas portugueses e estrangeiros (Cesariny, Vespeira, Man Ray, Dali, etc), que com elas comunicam. Sendo que todas as obras pertencem à colecção Berardo, é um esforço exigente e cumprido de aproveitar um conjunto de criações que têm vasos comunicantes óbvios que permitem compreender o Surrealismo nos seus pressupostos globais. Mais: a instalação da exposição no Museu faz um aproveitamento ímpar do mesmo. O espaço é um palácio extraordinário, onde a gestão da luz natural é pensada e onde as salas se sucedem, permitindo às obras uma interligação muito interessante. No último andar está patente uma pequena exposição de auto-retratos de Miguel Navas, que traz à parede uma discussão interessante: a dos vários eus. Todas as imagens expostas têm um aspecto diferente do autor, quase como que um humor, revelando a noção de que existem vários auto-retratos. Longe do auto-retrato clássico, envernizado no tempo e mumificado, Navas propõe os seus vários eus, mantendo padrões básicos mas modificando feições, gestos, músculos. No fundo, apontanto à construção de identidades outras que surge nas fotografias de Fernando Lemos. Para quem quer aprender a montar uma exposição e gerir cultura.

Votar Cavaco

Este é um blog Alegre

Este é um blog Alegre porque:

1) - Cavaco Silva é o anti-cristo em versão muda;

2) - Cavaco Silva merecia ser depenado, mergulhado em alcatrão e novamente penado;

3) - Cavaco Silva é um extra-terrestre de Vénus que, como o planeta é o do amor, pensa que todos o querem, todos o louvam, todos o amam;

4) - Cavaco Silva é um atentado à existência da humanidade, que devia ter vergonha de ter produzido algo assim e penitenciar-se expulsando o especimen do sistema solar;

5) - Cavaco Silva devia ter sido um abordo clandestino e nem para isso teve jeito;

6) - Mário Soares tinha o seu lugar na história e decidiu que queria ser uma nova versão dos estudos de Pavlov;

7) - Jerónimo de Sousa é casado com uma senhora de nome Ovídea (true story);

8) - Francisco Louçã não tem fato e gravata para tomar posse;

9) - Garcia Pereira tem um cabelo que envergonhava até os habitantes da província mais a sul do Burundi que, como toda a gente sabe, são menos esquisitos que os do Norte (e têm tangas de ráfia);

10) - O voto nulo como protesto é desperdício, o voto em branco falta de caneta e a abstenção preguiça sem desculpa de ir para a praia.