Finalmente!!!

Acabou o Verão. Die, you f.... bastard, die!!!

Sol, Expresso

Há duas semanas tentei comprar o primeiro Expresso de cara lavada e não consegui. Comprei o Público. A semana passada tentei comprar o primeiro Sol e não consegui. Comprei o segundo Expresso. Ontem comprei o segundo Sol. E a verdade é que não li o segundo Expresso (tinha a Maria Elisa na capa, desmotivou-me), mas li o primeiro Sol. E a verdade é que a coisa até nem está muito mal feita. Os textos pareceram-me razoáveis. O grafismo desempoeirado. Tem espertezas como um apanhado dos textos na imprensa estrangeira sobre Portugal e vice-versa. Tem duas páginas de Marcelo Rebelo de Sousa, o que é um exagero. Tem umas páginas a piscar o olho a um público mais feminino e menos institucional. Tem a Margarida Rebelo Pinto a falar do kamasutra de forma tão necessária como o Sporting a ganhar o campeonato com 10 pontos de avanço (ou seja, tão desnecessária como utópica e delirante). E tem, pelo que eu percebi, muita gente a comprar porque o Expresso, com a palermice dos DVDs gratuitos, esgota que nem ginjas. Há muito bom pai de família que, do alto do seu fato de treino roxo e branco, compra o dito por causa do DVD, e depois despaxa a revista para a madame e usa o resto para limpar a vareta do óleo do Mercedes de 1988 (à cara da Maria Elisa, vá la). Claro que o Sol tem o Saraiva e isso podia criar engulhos na vontade de dar os 2 aéreos. Mas fiquei com vontade de comprar para a semana. Até porque começa, felizmente, a chover (claro que tinha que existir um trocadilho pateta neste texto). A ver vamos.

Mercados

Eu tenho uma vetusta pancada por mercados. E quando digo mercados, falo de mercados urbanos, grandes pavilhões no meio da malha da cidade, e não mercados ao ar livre. Tudo aquilo me transmite uma sensação de bem-estar que perdura o resto do dia. Anteontem atravessei o mercado de Alvalade Norte e a vontade de me demorar foi enorme. É um pouco a ideia do campo no meio da cidade, mas com uma enorme vantagem: sem campo. Num mercado tudo é genuíno e nada é verdadeiro. Raras vezes o peixe é fresco, mas a afirmação da peixeira a garantir a frescura é genuinamente portuguesa. Tudo aquilo apela ao intestino, no sentido visceral da componente emotiva. Não há nada para além de um mercado. Aquilo são frutas, legumes e carne verdadeiras, de qualidade abaixo ou acima da média, mas que não foram controladas, manipuladas e seladas como num hipercado. Ali, muitas vezes, foi a tia Judite que cultivou as couves. Podem não ser as melhores couves do mundo, mas são as dela. O chão está molhado, não há materiais bonitos com logotipos nem palhaçadas. Um mercado é um mercado é um mercado, como dizia o poeta. Há velhas com bigode, há putos novos que não quiseram estudar e estão por castigo, há talhantes manhosos que comem a Cristina das frutas com os olhos. Um mercado é um microcosmos organizado em volta da sua pureza, com tudo o que impuro possa ter. Um mercado não se sujeita à sociedade contemporânea, abre às 7 e fecha às 14 porque é de manhã que se começa o dia e à tarde já o peixe está mole. Um mercado é a rotina de milhares de velhas, que, caso contrário, se sentiriam perdidas sem o cheiro a pêra rocha. Um mercado é um mercado é um mercado.

A Dália Negra


Ela vem aí.

Cansaço

E é quase tudo.

Música de domingo II

"Lazy, you lazy poet, your words are reckless, and I can't feel it
But hey, hey, all the boys I have ever loved have been digital
I've been a guest, on a screen, or in a book!
I move 'em with my thumbs, I move them with my thumbs
I write his name in nothing, he whispers to the author
That I will be the only one

Escape! Escape! This time, for real!
We fool around in the service lane
He's the only friend I have who doesn't do cocaine
And all the boys I have ever loved have been confidential
Had a broken home, or a seedy past
So I know it's gonna last
And move him with your thumbs, I move him with my thumbs
He needs, he needs my guidance, he needs, he needs my time
Though I am not the only one

He swam! To the edge of the wall of the world!
Followed my voice, and he cried
Master! The answer is maybe... Maybe not... Maybe not...
Maybe not! I have goals!
Gotta fulfill the seven prophecies!
Gotta be a friend to grandmother!
Gotta rescue Michael from the White Witch!
Gotta find and kill my shadow self
Gotta dig up every secret seashell
You may have been made for love...
But I'm just made"


He Poos Clouds, in "He Poos Clouds", Final Fantasy, Tomlab, 2006

Montreux: as imagens













Recover

As já baixas audiências deste mui estimado blog desceram nas últimas semanas, pelo que va, pronto, la vou ter que recorrer a uma manigância tecnológica para fazer subir isto. Pronto:

SEXO
SEX
SEXUAL
SEXY

Pronto, agora as pesquisas worldwide encarregam-se do resto.

A gerência agradece a atenção.

Música de domingo I

"Outside, black crows line up in a rope, on the white fence that's around you, as my tears keep dropping like flies".

Seven Black Crows, in "One Two Three Four", Linda Draper, Mushroom Pillow, 2006

Foda-se II

Sei hoje, via o elementarista blog, que Rio Turvo, o mais recente projecto de Edgar Pêra, foi classificado pelo ICAM em 23.º lugar na lista, ou seja, desclassificado. Insiste-se neste país em crimes lesa património evolutivo da cultura. Claro que o resultado do concurso não está ainda na página do ICAM. Claro que ninguém vai reparar ou mesmo abrir a boca para dizer que Manuel de Oliveira tem naturalmente financiamento garantido, independente do valor do projecto apresentado. E claro que Pêra vai insistir, com ou sem ajudas, como o cinema lhe exige.

Foda-se.

A 16 de Setembro há Vetiver na Zé dos Bois. De 22 a 24 de Setembro há Figuras da Dança no Cinema II, na Culturgest. De 24 de Setembro a 30 de Novembro, ciclo inteiramente dedicado a Shostakovich no CCB. A 27 e 28 de Setembro há Young People, Old Voices, nova coreografia de Raimund Hoghe, também na Culturgest. A 4 e 5 de Outubro, Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Pedro Burmester repetem o 3 pianos já realizado no ano passado, novamente no CCB. A 9 e 10 de Outubro, o regresso de Clara Andermat ao CCB, com Silêncio, incluído no Temps d'Image. A 15 de Outubro há Final Fantasy no Club Lua. A 17 de Outubro, há Quadri [+] Chromies, projecto de imagem vs música electrónica de Hector Zazou, no CCB. Até 22 de Outubro a antológica de Jorge Martins também no CCB. A 26 de Outubro, o Campo Pequeno recebe os Muse. De 20 a 29 de Outubro há DocLisboa 2006, com enfoque em Amos Gitai, na Culturgest. Dia 12 de Novembro Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette podem fazer história em Belém. A 19 de Novembro, os premiados do Cinanima novamente na Culturgest. A 23 e 24 de Novembro, Vera Mantero apresenta até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza, no CCB. De 4 a 9 de Dezembro, Nippon Koma, de regresso à Culturgest. Entre 3 e 17 de Dezembro, a Compahia 111 apresenta o "acontecimento visual" que é Plus ou Moin l'Infini. A 7 de Dezembro, sobem os Yo La Tengo ao palco da Aula Magna. Nos dias 14, 15, 21, 22 e 23 de Dezembro, ganha vida o projecto Unreal - Sidewalk Cartoon, com música original de Bernardo Sassetti, participação especial de Beatriz Batarda e cartoon musical/filme do próprio Sassetti e Filipe Alçada, no S. Luiz. E isto com a consciência que muita coisa ainda não se sabe ou não tem data definida. E isto com a consciência de um volume de trabalho absurdo até final do ano, com a perspectiva certa de uma mudança de casa, com a certeza de uma profundíssima frustração por não ver nem um terço das coisas. Foda-se.

Imagens do demo VIII

Há-de vir o dia

Há-de vir o dia. Tu entrarás de forma cansada, curvada sobre o calor lá fora, enquanto os pássaros regurgitam o Verão. A casa fria, uma brisa infiltra-se na cozinha, folhas espreitam nas janelas desinteressadamente. Virá o dia em que não mais partilhamos as dores do mundo e o egoísmo vence, penhoradamente, sobre a noite, com pó em fundo, em jeito de lamento doce, sobre tudo. Tu entrarás concomitantemente à espera, e a temperatura acolhe-te como uma língua, breve, levemente empoleirada no tempo, a ruminar avatares de humilhação. A mala rapidamente esquecida depois do início, um vapor que se imagina criado há minutos, a máquina de lavar como um monstro velho à beira da morte arrastando-se um pouco ainda, um copo singularmente junto mas não perto do canto da mesa, um precipício evitado mas consciente, uma gota seca. Há-de vir o dia em que a criança que nunca quiseste se apodera da potência e imagina-se, finalmente, longe, deixando-te envelhecer nos fins de tarde, como as pontes, ou mesmo os pelos que se agarram às cordas dos instrumentos, de tampa fechada sobre o voo. Entrarás e tudo se sublima nos passos na escada, a dura pausa, e depois um restolhar de presença na engrenagem da porta. Virá o dia e não mais o cansaço te impede de entrar, olhar em volta para não cair em passos perdidos, reconhecer o imaginário das flores secas ao fundo, e manter o silêncio sólido da ternura.

Barcelona: as fotografias



















Das mulheres miniatura

As mulheres miniatura são uma exclusividade de poucos países. No caso português, aqui mais em foco, partem da frase mítica que “a mulher quer-se pequenina como a sardinha”. E não, enganam-se os que pensam que isto tem a ver com a altura do espécimen. É muito mais do que isso. Ora. A mulher miniatura é algo que, sendo invulgar, é vulgar. A mulher miniatura tem tudo pequenino: não mais de um metro e cinquenta e seis centímetros, um dedo indicador com quatro centímetros de comprimento e apenas pele à volta das falanges, falanginhas e falangetas, uns seios elípticos colados ao peito que não ganham peso por si e se mantêm eternamente em posição militar, uns pés que procuram sapatos em lojas para crianças, um rabo que não evoluiu desde os doze anos, quatro costelas laterais direitas que insistem em pronunciar-se quando deitadas, sejam gordas ou magras, umas pestanas que gritam por atenção matinal como um girassol em Dezembro, um queixo pontiagudo que, perto da mão de um homem, se assemelha de forma incrível a uma amostra de perfume dada na rua por uma promotora solícita. As mulheres miniatura são seres que pararam na escala de evolução e estão geneticamente condenadas a uma reduzida dimensão global, em que tudo é pequenino. São bonecas que não foram substituídas pela Barbie e permanecem em total funcionamento no mundo moderno, mesmo quando este está em total funcionamento adaptado para mulheres-gajas (um dia falarei sobre estas). Às mulheres miniatura estão vedadas algumas actividades, como carregar o sofá comprado no Ikea para o carro (porque nem os dedos nem os braços conseguem segurá-lo, de qualquer ângulo) ou pendurar roupa num corda num campo do Tennessee onde o vento passa e os lençóis sopram (ou o vento sopra e os lençóis passam). Em contrapartida, estão especialmente fadadas para trabalhar em lojas de roupa (a Zara é um bom exemplo) ou terem a sua própria papelaria, se tiverem mais de 40 anos, ou menos mas usarem chinelos de forma continuada e tiverem dois filhos “nascidos e criados no bairro”. Normalmente estas papelarias, que também vendem módulos da Carris, situam-se na Pontinha, em Moscavide ou na Rinchoa, se bem que a localização não é exclusiva. As mulheres miniatura, independentemente do estrato social, nunca têm voz grossa mas podem endurecer o queixo de forma laminar, colocando um homem no seu devido lugar, isto é, no de paspalho que a atura. O pequenino corpo endurece-se e todas elas parecem firmes e hirtas, prontas a atacar com verborreia quem se atravesse no caminho do seu fornecedor de lápis número dois. As mulheres miniatura nunca conseguem ser seres ternos, caindo eternamente no terreno lamacento da pieguice ou da idiotice. Foneticamente, podemos associá-las às palavras “pipoquinha”, “soquete” ou mesmo “carrapito”, termos praticamente exclusivos em termos de utilização da sua parte. Ao contrário do natural, quando envelhecem tornam-se aquilo que se denomina “velha seca”, isto é, uma idosa pequenina e sem gorduras, mas com enormes problemas de força e que fala insistentemente nos namorados que teve antes dos 22 anos, altura em que conheceu o Joaquim. Como miniaturas, atraem com facilidade o género masculino, que fantasia em manobrá-las entre os dedos como uma moeda ou acredita serem mais acrobáticas nos assuntos de cama e, logo, capazes de posições nunca antes vistas acima do paralelo 36. Como mulheres, ainda que miniatura, elas andam aí.