The Simpsons Movie


Ainda faltam uns penosos cinco meses (nos EUA, cá então...), mas os trailers dão cada vez mais para salivar. Para "tv junkies" como eu, a espera é o pior. Os Simpsons foram a mais brilhante série de animação à face do planeta (seguidos agora de perto por "Family Guy"), e ver isto no grande ecrã vai ser um orgasmo visual. Pronto, já disse. Este é o terceiro trailer do filme, e mostra bem mais do que os dois anteriores. Para quem dispõe de Quicktime, pode ver as versões em alta definição e bem maior tamanho aqui. Sim, o tempo passa rápido demais. Quase sempre. E às vezes meses parecem décadas. Wait and see.

Nuno Markl - O Pior de Ser Português

Eu sou devoto da religião Markliana há muito. A sério, considero que o tipo é genial em muito do que faz, e que nos fazem falta tipos geniais assim. Esta peça só vem provar isto: um telecartoon sobre o pior de ser português, emitido pela SicNotícias. Os temas podiam ser estes como outros, a questão é a forma. E a forma é, objectivamente, boa. Mai nada.

Fantasias I

Enquanto adolescente, sempre quis amar uma mulher violoncelista. Sonhei largamente em ir esperá-la ao conservatório, em dias de frio, e ela sairia de camisola de gola alta, branca, com um sorriso aberto, os dedos macerados. No palco, o acto sexual do violoncelo era cortado, como um limão, pela justeza do gesto, enquanto a suite n.º 7 de Bach evoluia sem retorno. Aos domingos de Março, acordaria às primeiras afinações, e deixava-me ficar na cama, olhando o tecto, enquanto ela fazia amor com as cordas ao canto da sala, profissionalmente. O som do violoncelo ecoava então nos livros, meses a fio, e acabávamos por definhar perante a música. Como se não houvesse escolha.

Cracóvia

Os velhos abandonam-se nos cafés. É de manhã, e nada impede que recordem, dolorosamente, as vidas que não tiveram. Passo, e acorre-me a tua ausência. Imagino a tua morte, sem dor excessiva, e conforto-me com a distância. A vida é uma relação relativa. A casa respira pelo esquadro de céu que se vê do sofá. Margaridas envelhecem sem culpa. Ao fundo, dois candelabros sem identidade regeneram-se mutuamente. Mais tarde serão apresentados, e quase tudo fará mais sentido para a vizinha que acorre à janela, dois andares acima, diligentemente à procura de conforto visual. Suponho que acordo frequentemente com o sino, e em nada me sinto prejudicado face à outra margem. Imagino-te em dor, e sei, talvez, que os demónios que alimentam a carvoaria nos aproximam, mais até do que outras formas de transporte. Estico as imagens, sonâmbulo proactivo, e abandono-me, de manhã, à recordação de Cracóvia.

Vejam

Os net-filmes de Edgar Pêra no 5dias: http://5dias.net/?cat=8

Mais do que nunca, obviamente, hoje

SIM.

Leiam


Scrap Book, Henri Cartier-Bresson

Oiçam


Some Loud Thunder, Clap Your Hands Say Yeah

Obviamente, hoje, mais do que nunca

SIM.

Choque tecnológico

Mudar de casa implica mudar um conjunto de fornecedores. Água, luz, gás, televisão. Internet. E é espantoso como em Portugal esta última custa. Água, luz, gás, televisão, na primeira semana. Internet, com sorte, ao fim de uns bons dois meses. Contratos perdidos, desconhecimento, estafetas que não aparecem, PT que demora tudo o que puder a instalar linha, etc, etc, etc. E vai uma viagem até casa da mãezinha para actualizar a chafarica. Mais do que tudo, irrita-me a impossibilidade de interacção desfasada. A mobília está lá toda, mas faltam os sinais no ar a provocar leucemia. Ainda não há conforto. A mensagem de "offline" é uma depressão crescente. Eu queria mudar de vida, mas não assim. Por este andar, qualquer dia passo o tempo apenas e só a estender roupa, engomar, ver televisão, ler um livro. E isso não é vida para ninguém.

Hoje, mais do que nunca, obviamente

SIM.

Da mudança, da idade, do partir e do chegar

Vê-se este blog e o seu distinto autor (que algumas, quais valquírias desapossadas de voz esganiçada e com distintos pelos no peito, definem como velho ranhoso e desempregado) em maré de mudança. Aos 84 anos, mudo de casa. Acho que já é tempo. É tempo de viver onde a carteira, moça roliça e bem disposta, nos acorda todos os dias às nove da matina porque toca em todas as campaínhas do prédio como se não houvesse amanhã. E lá está, existe, e ela, amanhã, ou seja, no dia seguinte, lá está a tocar como se não houvesse amanhã, o dia seguinte ao seguinte. É tempo de viver onde os vizinhos espreitam por cima do ombro, quando tocam apenas para avisar que a luz da escada está acesa, e que não pode ser, nós não somos sócios da EDP. Mas acima de tudo, aos 84 anos, mudo de espaço. O meu espaço agora não tem limites às quatro da manhã. De férias, entre chegar do fluxo anormal de trabalho e partir para terra da ganza (também conhecida como Amesterdão), nada detém as paredes de se extrapolarem, por entre a tinta, a ganharem contornos ácidos, como se a varanda que não existe queimasse todas as urtigas à sua volta. Na prática, muda a distância ao aeroporto, muda a temperatura dentro de casa (mais ou menos uns 4,8 graus, em Farenheit, uma escala com muito mais estilo que os centígrados), muda o buldog inglês do vizinho do 2.º andar, de tal forma gordo que ladra a si próprio, instigando-se a uma dieta e criando uma esquizofrenia canina de carácter inteiramente e completamente novo para os obstetras de Portimão. Muda a possibilidade de correr todo nu às três da manhã, por acção alheia (antes ainda era provável, agora não). Muda a senhora das couves no mercado, que não o havia antes e agora é poiso concreto aos sábados de manhã, muito por culpa do desconto de nove cêntimos simpaticamente atribuído sem bilhete pelo bigode andante da jovem. Muda a idade, porque ganhei facilmente dez anos à história, sentindo-me agora com uns belos e redondos 74. Muda a paranóia invisível no cerebelo, que agora se reflecte de forma estética em andar pela casa feito parvo sem saber o que fazer primeiro, ou mesmo em momentos sem nada para fazer, simplesmente porque o espaço ainda é estranho. Não muda: o feitio, o clube, a rinite alérgica, a capacidade sexual, a habilidade de condução, a possibilidade de adquirir um Ferrari, a dor no joelho. É possível que mude a velocidade de actualização aqui da tasca, para melhor, ou seja: futuras mães e autoras de babyblogs, EU MUDEI DE CASA. Preparem-se.

"VELHO RANHOSO E SEMPRE MAL-DISPOSTO SEM NADA PARA FAZER"

Ora, descobri por intermédio de uma simpática comentadora deste blog, que se assina como "POIS", que sou um "VELHO RANHOSO E SEMPRE MAL-DISPOSTO SEM NADA PARA FAZER." Isto provoca na minha vida de velho ranhoso uma comoção profunda e um abalo sem precedentes. Ou seja:

1) - Não sou apenas um "VELHO SEMPRE MAL-DISPOSTO SEM NADA PARA FAZER". Não. Sou também "RANHOSO". O que acaba por provar as minhas suspeitas sobre os otorrinolaringologistas que consultei nos últimos 70 anos (70 anos já é velho, né?): são todos uns totós. Todo este tempo a negarem a minha sinusite crónica, a chamarem-me hipocondríaco precoce (sou desde os 4 anos), a dizerem que eu preciso é de putas e vinho verde. Mas não. A "POIS" provou que, mesmo à distância, sou um "RANHOSO". Obrigado.

2) - Não sou apenas um "VELHO RANHOSO SEM NADA PARA FAZER". Não. Sou "SEMPRE MAL-DISPOSTO". E pronto, assumo: desde que comi uns mexilhões apanhados em Algés no ano da graça de 1967 que a azia me percorre e persegue, tornando o meu estômago num caldeirão de ácido que só doses cavalares de Kompensan (as Cavalosan) conseguem amansar. Ando a esconder isto do meu namorado Abílio desde Setembro, mas agora vou ter que o ouvir. E ele vai escolher uma daquelas camisolas de gola alta vermelhas, o que torna tudo mais difícil.

3) - Não sou apenas um "VELHO RANHOSO E SEMPRE MAL-DISPOSTO". Não. Também não tenho "NADA PARA FAZER". E aqui confesso que me sinto ofendido. Porque considero que a masturbação em urinóis públicos, sobretudo no Campo dos Mártires da Pátria (simbólico, hã?), é alguma coisa que se faz. E porque lá por ser sustentado pelo Abílio não quer dizer que não me levante todos os dias com vontade de ir para a rua e apalpar os moços bêbados no jardim do Príncipe Real, antes do Gregório (simbólico, hã?). Por isso, esta parte é mentira: eu faço muita coisa, ou faço por fazer. O que já é fazer, e por isso não se pode andar para aí a dizer que não se tem nada para fazer quando se faz alguma coisa por se ter alguma coisa para fazer. Pois!

Finalmente!

Começou a chover. Mas parou logo a seguir. O que dá felicidade precoce.

Alguém veio aqui parar pesquisando... (XII)

"boneco winnie pony". :S