segunda-feira, abril 14, 2008 at 23:12 Labels: { Hora do Monstro } {0 comments}
domingo, abril 13, 2008 at 17:53 Labels: { Ironias } {0 comments}
at 17:21 Labels: { Cinema } {0 comments}
... ver O Estranho Mundo de Jack em 3D, a partir de dia 24. Porque será um enorme orgasmo visual.
at 16:42 Labels: { Música de domingo } {0 comments}
at 15:42 Labels: { A verdade é que } {0 comments}
A verdade é que os intelectuais morreram e ninguém quis ir ao funeral. Mas estamos todos a pagar a conta. Com eternos juros de mora.
at 14:51 Labels: { Cinema } {0 comments}

É um facto indesmentível que Francis Ford Coppola já entrou na história do cinema antes de Youth Without Youth. Terá bastado Apocalypse Now e a triologia The Godfather para o norte-americano figurar na galeria máxima do motion picture mundial, nomeadamente como um dos expoentes máximos do lado de lá do Atlântico. Ainda assim, aos mestres exige-se mais do que aos defuntos, e a Coppola exigiu-se durante muito o seguimento daquela que foi uma das mais brilhantes carreiras cinematográficas dos anos 70 e 80. Já Dracula, lançado para os ecrãs em 1992, tinha sido uma respiração forte do realizador que parecia apagado. Mas depois nada veio e Coppola começou a mistificar-se. Chegados ao dia de hoje, chegados a 2008, eis que Coppola regressa. Youth Without Youth é definitivamente um dos filmes do ano e recupera o americano à luz do cinema, mesmo que públicos e/ou crítica não lhe queiram granjear louvores. O filme é um Coppola que não é um Coppola e assim se torna um Coppola. Paradoxos à parte, explica-se. É um Coppola porque assinado, de forma profunda, pelo realizador. Não é um Coppola porque foge quase por completo a uma cinematografia de origem formalmente norte-americana, singrada nas feridas dos Estados, sejam a história da maior organização underground em terras de Sam - a Máfia - ou o desastre que mais terá marcado a história bélica do século XX a olhos unidenses - Vietnam. E acaba por ser de Coppola precisamente por não ser, por ser um objecto assumidamente experimentalista, com os dois pés e cabeça fora de uma realidade palpável, e por devolver um Coppola que arrisca no limite, que recupera uma visão de jovem criador, ainda que aproveitando o branco das suas barbas e os quilómetros de película que as habita. A história não é simples: Dominic Matei, septuagenário, linguísta estudioso da origem das línguas com trabalho inacabado, é fulminado por um raio em plena Bucareste. Contrariando a morte, Dominic vê-se paradoxalmente regenarado pela carga eléctrica, que lhe devolve uma juventude perdida há muito. Com nova pele e uma face 30 anos mais nova, vem uma hiper-memória que o leva a um novo plano mental e cognitivo. Identificado pela Gestapo e alvo de enorme curiosidade científica pelos planos de Hitler, Dominic exila-se para reencontrar, depois de muita coisa, a mulher perdida na juventude, agora encarnada em Veronica. Esta, por karma também alvo da ira das nuvens, tem um comportamento inverso e entra em estados proto-mediunísticos, recuando todas as noites a uma era cada vez mais antiga e mais próxima da origem da linguagem. Cada noite Veronica, ao contrário de Dominic, envelhece de forma clara, expondo a antítese do romeno. Youth Without Youth é um filme profundamente filosófico, que obriga o espectador a um contínuo trabalho de questionamento dos conteúdos simbólicos das imagens e das personagens. Coppola, através de um trabalho esteticamente evoluído e de um argumento de complexidade máxima, introduz discussões sobre o excesso e a falta memória, sobre as origens da linguagem, sobre o relacionamento humano e as decisões tomadas em virtude de encruzilhadas kármicas, não se esquecendo de abordar determinadas visões possíveis a meio do século sobre um futuro que, a habitantes do planeta atómico, parecia justificadamente diferente do que sabemos ter-se concretizado. Tim Roth, num papel de transparente dualidade, é perfeito, Alexandra Maria Lara é a face da ternura e do terror que Coppola precisava e até o envelhecido Bruno Ganz cumpre, como sempre, o perfil científico-histórico que lhe é exigido. Youth Without Youth é um documento de cinema completo, em forma, conteúdo e estética, assinado, e com substância para permanecer num tempo em que os filmes são mastigados em vigor de reciclagem. O Animatógrafo curva-se, de novo, perante si, senhor Coppola. De novo.
quarta-feira, abril 09, 2008 at 21:39 Labels: { Literatura } {0 comments}
Chegaram ontem. O carteiro, simpático, deixou os pacotes debaixo do tapete, por não caberem na caixa do correio. Simpático. Felizmente a senhora da limpeza não se interessa por correspondência estrangeira. Não se viam letras manuscritas, nem selos de longe. Eram apenas um pacote amarelo fininho e um branco mais grosso. Durante anos planeei subscrever dezenas de publicações, revistas, livros, jornais, folhetos e panfletos, pasquins. Chegaram ontem, e até tenho medo de folhear, parvo. A primeira, num pacotinho amarelo com letras de máquina, é a Zoetrope All-Story. Conheci a Zoetrope na internet e apaixonei-me sem a ver. Falámos longamente como adolescentes, descobrimos as taras escondidas, contei-lhe os absurdos que vejo. Chegou ontem, uma capa laranja com a imagem gigante de uns lábios carnudos, ou a imagem carnuda de uns lábios gigantes. A primeira frase, a vermelho, avisa
FRANCIS FORD COPPOLA PRESENTS
E todo eu tremo como que a meter o preservativo ao contrário. Abro, e na primeira página a face de Harmony Korine a rezar para a lente, numa sala de Santa Iria da Azóia com sete televisões, um quadro de uma mulher com cabelo apanhado e um gato gordo, uma cama, muitos candeeiros de eras diferentes e um cadeirão com cara de Thatcher. O cheiro da tinta é arejado mas antigo, e a letra tem um ar sério, de gente grande que não brinca às magazines mas pensa na vida.
De um pacote branco, gordo, duas Grantas. A da frente, orgulhosa mas simples, diz que é a edição número 100 e tem textos de Martin Amis, Doris Lessing, Ian McEwan, Harold Pinter, Salman Rushdie, Mario Vargas Llosa. E de mais outros tantos. Na capa revejo o mote
THE MAGAZINE OF NEW WRITING
e enterneço-me com a ideia da revistinha ter lançado putos para a vida má das letras, e eles terem crescido para serem hoje homenzinhos com assombrações em forma de livros, em casas públicas de má fama de nome livrarias. Atrás, sorridente, a edição especial Best of Young American Novelists, letras borbulhosas em tons de laranja e verde a gritar por atenção. Na lista da contra-capa Jonathan Safran Foer incha, mas a explicação fala em seis anos de leituras compulsivas de um júri que analisou os trabalhos de dezenas de crianças literárias, homens feitos durante o dia, breves imberbes à noite das letras. Cheira a Barnes & Nobles do Soho. Cheira a fraldas, com fotografias de gente magricela e de maçã de adão proeminente a saltar páginas fora. Cheira a viagem de finalistas sem bebedeiras efectivas. Daqui a uns anos. O senhor carteiro deixou debaixo do tapete porque nada cabia na caixa do correio. Tudo grande demais. Os carteiros são homens sábios.
segunda-feira, abril 07, 2008 at 23:19 Labels: { Ironias } {0 comments}
at 13:14 Labels: { Música de domingo } {0 comments}
sábado, abril 05, 2008 at 22:20 Labels: { Cinema } {0 comments}

A vida tem destas coisas. Ponderadas todas as hipóteses, os tipos porreiros do Musicbox decidiram baptizar uma nova iniciativa precisamente como "Animatógrafo". Não, não tem nada a ver aqui com o tasco. Ou até tem. Não tem porque (infelizmente?) não tenho nada a ver com a organização da coisa. Mas até tem porque tem a ver, claro está, com cinema. Ao que reza o press, a coisa prevê a projecção de filmes de animação escolhidos por ilustradores como André Carrilho ou José Fonte Santa. E os dois primeiros são um primor. A começar, já na próxima quarta-feira, o clássico Yellow Submarine, viagem psicadélica com os Beatles por mote. Dia 16, uma peça incontornável do cinema de animação, e raramente visto por estas bandas: Fritz the Cat, 78 minutos de um gato pornográfico, agarrado e com pinta, num documento de 1972 que é um prodígio de liberdade criativa. As sessões são, como já se percebeu, às quartas, pelas 22:30h, com entrada livre, ali para as bandas da R. Nova do Carvalho, ao Cais do Sodré. Absolutamente a não perder, sobretudo o chico-esperto do Fritz. Mais info aqui.
quinta-feira, abril 03, 2008 at 23:18 Labels: { Mulheres levadas da breca } {0 comments}
at 21:48 Labels: { Cinema, IndieLisboa2008 } {0 comments}
Pela primeira vez, o Animatógrafo tira férias para se dedicar em exclusivo a um festival de cinema. Acontecerá de novo este ano, lá para Outubro, no DocLisboa, mas para já o Indie será a segunda casa do Anim, de 24 de Abril a 4 de Maio. E como lançamento, uma espreitadela à programação, já conhecida. Primeiro que tudo, a abertura sob a responsabilidade de um enorme Wong Kar Wai, com o novo My Blueberry Nights. A estranha Norah Jones (!) tem o papel principal, mas Jude Law ou Natalie Portman também andam por lá, numa história de procura individual do rumo depois de um desgosto amoroso. Depois há muita muita coisa. Nomes grandes? Abel Ferrara, com Go Go Tales, filme de cabaret de Manhattan a piscar o olho a Cassavettes. Mike Leigh, com Happy Go Lucky, que já passou por Berlim e pode ser uma comédia de ar bem fresco na carreira do britânico mais conhecido pelo realismo de lágrima abundante. Harmony Korine, rebelde independente autor de Julien Donkey Boy que traz Mister Lonely, filme delírio com freiras a saltar de aviões sem pára-quedas ou comunidades de sósias que acreditam ser os originais. A fechar estará Ken Loach, a dizer que It's a free world, filme documento sobre a imigração ilegal e o seu papel no mercado de trabalho num país europeu. Em competição internacional, destaque teórico para La France, de Serge Bozon, onde a mulher de um soldado da Primeira Guerra Mundial, quando rejeitada por carta, decide disfarçar-se de homem e ir à procura do marido pelo meio do confronto; Momma's Man, de Azazel Jacobs, que olha para um adulto que regressa ao quarto de infância e não consegue sair, preso às memórias que sabe não poder repetir; A Zona, a primeira longa aguardada de Sandro Aguilar, sobre a descida à "zona" como tentativa de salvação de uma mãe. Em secções apostas, olhos para os heróis independentes, Johnnie To e José Luis Guerin, e para o novo cinema romeno, em fase de enorme expansão. Na área musical atenções para Bananaz, o falado documentário sobre, claro, os Gorilaz, realizado por Ceri Levy, Joy Division, de Grant Gee, Lou Reed's Berlin, de Julien Schnabel, e Patti Smith: Dream of Life, de Steven Sebring. Há também filmes sobre o próprio cinema, filmes para crianças, eventos paralelos, conferências, workshops, o diabo a quatro. O Animatógrafo, como em anos anteriores, fará uma cobertura extensa do evento, com críticas aos filmes vistos e um balanço. Desta feita, o objectivo é ver todos os filmes a competição internacional, e alguns dos referidos noutras secções. O Indie vem aí. Amen.