domingo, novembro 02, 2008 at 23:02 Labels: { Mulheres levadas da breca, Música } {0 comments}
sexta-feira, outubro 24, 2008 at 10:05 Labels: { Outras guerras, Política } {0 comments}
terça-feira, outubro 21, 2008 at 21:59 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
[Competição Internacional] Pode até nem ganhar o galardão máximo, mas o filme de Cathie Levy já ganhou um prémio: o da empatia com quem o viu no domingo, no grande auditório da Culturgest. Na senda do documentário sobre a natureza humana, o projecto da realizadora vai à procura das mulheres que permanentemente procuram os serviços de cirurgia plástica da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Logo pela manhã, uma filma enorme alonga-se junto ao muro, e mulheres, novas e velhas, baixas e altas, bonitas e feias, gordas e magras, conversam sobre o que não gostam em si. E no que ele poderá fazer por elas. Ele é Ivo Pitanguy, o cirurgião estético mais conhecido do Brasil e um dos maiores no mundo. Ao contrário das "coroas" do Leblon, que pagam somas chorudas por um nariz novo ou seios mais voluptuosos, Edna, Valéria e Fernanda não têm dinheiro para isso. Mas também não estão contentes com o que o espelho devolve, e têm a esperança de mudar. Ao longo de cinco meses, Cathie Levy foi atrás de algumas das mulheres que vêm Pitanguy como o mágico das suas vidas e filmou as suas dúvidas, sonhos e sorrisos, mentiras inocentes e lágrimas escondidas. O que à primeira vista parece superficialidade a um olhar mais neutro, revela-se, ao longo de duas horas, como algo bem mais profundo. A vaidade das mulheres que Levy encontrou nos corredores da Santa Casa não vem apenas do espelho, mas antes de baixa auto-estima, de problemas emocionais ou familiares, da rejeição da sociedade e de uma cultura demasiado pressionada pelo corpo e pela socialização pelo mesmo. Levy tem, além de um excelente trabalho de estruturação que mostra todas as fases de preparação da cirurgia e nos faz sentir testemunhas próximas de quem vai à faca, a felicidade de encontrar genuidade nos intervenientes. Um documentário é feliz quanto maior for a felicidade nas pessoas que encontra. Cathie Levy foi à procura da felicidade de câmera em riste e pode sair de Lisboa com algo mais.at 21:33 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
[Sessão Especial] Há festivais que correm mal desde o início, estopada atrás de estopada. E depois há o docLisboa deste ano, cuja qualidade dos filmes escolhidos continua a surpreender, um atrás do outro. Desta feita, o motivo de contentamento é Gonzo: the life and work of Dr. Hunter S. Thompson, de Alex Gibney. Atenção: o norte-americano não é um qualquer realizador. É só o vencedor do óscar para o melhor documentário em 2007, com Taxi to the Dark Side, onde ia atrás da tortura que os soldados norte-americanos impõem aos capturados no Iraque ou Afeganistão, inocentes ou culpados. Este ano Gibney aligeirou um pouco o tema, mas não por isso faz um trabalho menor. Agora: quem viu Fear and Loathing in Las Vegas, a pérola de Terry Gilliam de 1998, vai perceber o resto do texto muitíssimo melhor. Porque o filme de Gibney é, precisamente, sobre o homem aí representado. Hunter Thompson, jornalista excêntrico, escritor instável, origem do jornalismo gonzo, um misto de factual e imaginado, de calúnia e alucinógeneo. O tipo pastilhado que Johnny Depp interpreta em Fear and Loathing é precisamente Hunter, que acompanhou o projecto. Hunter, personagem mítica na cobertura das eleições presidenciais de 1972. Hunter, o tipo que andou com os Hell's Angels, o último grupo motard fora-da-lei, América fora. Hunter, o gajo que que foi para as pistas de cavalos do Kentucky escrever sobre quem estava nas bancadas e não ligou nenhuma aos cavalos. Hunter S. Thompson foi das personagems mais interessantes do século XX norte-americano, e portanto a tarefa de Alex Gibney era "estar à altura". E está. O documentário biográfico sobre o maior pastilhado de todos os tempos é um excelente filme, que fala com toda a gente que interessa e mais alguma que não sabíamos existir, que explica e aborda a origem do Gonzo, e que faz o que um documentário biográfico deve fazer: singulariza o objecto de estudo, mostrando-o e interpretando-o à luz da sua vida e da sua realidade, mas sem julgamentos. O trabalho visual de Gibney é fantástico, sobretudo tentando chegar às sensações provocadas pelo ácido e alucinógeneos. A estrutura é inatacável. E não sendo um documento de cariz político actual, não deixa de olhar para a atitude eminentemente política de Thompson em toda a sua vida e, assim, sublinhar a natureza do homem político, de então e dos nossos dias. Possivelmente não vai ganhar o óscar, mas Alex Gibney pode gabar-se de ser o autor de um documento que, mais do que ser interessante, pode bater no peito e dizer que é necessário não só para compreender a história do biografado como de algumas décadas da história norte-americana. E isso não é pouco.at 20:57 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
[Investigações] Kevin McDonald será conhecido, sobretudo, por O Último Rei da Escócia, que deu o óscar a Forest Whitaker o ano passado. O realizador, porém, não se dedica apenas à ficção, e desta feita trouxe My Enemy's Enemy ao docLisboa. Tendo por mote a máxima de "inimigo do meu inimigo meu amigo é", o realizador foi à caça da história de Klaus Barbie, o "carniceiro de Lyon". Barbie foi uma das figuras proeminentes das SS e do III Reich, com impacto sobretudo na supressão da resistência francesa durante a II Guerra Mundial, mas não só. Milhares de pessoas foram deportadas sobre as suas ordens, incluindo um grupo de algumas dezenas de crianças que se encontravam numa instituição isoladas. Muitas torturadas de forma bárbara pessoalmente pelo alemão. Finda a guerra, Barbie vê-se útil à CIA e aos EUA na guerra fria, e posteriormente, já na América Latina, intervém na profusão de revoltas e golpes militares em alguns países, na tentativa de instauração de um IV Reich nos Andes, até aos anos 80. Descoberto por caça-nazis ao serviço de vítimas ou descendentes das mesmas, viria por fim a ser julgado em França e condenado a prisão perpétua, tendo falecido em 1991, ironicamente, em Lyon. Contada a história, importa dizer que Kevin McDonald faz um trabalho de investigação fantástico. Ao longo de 87 minutos vemos o desenrolar da história de Barbie como uma novela dantesca, profusamente ilustrada por testemunhos dos mais variados intervenientes, e contextualizada ao limite. Ao mesmo tempo, McDonald tenta definir o perfil de Barbie e estudá-lo pelos actos, palavras e movimentos, parece que à procura da raiz do mal. E como pano de fundo impositivo de tudo, a ideia de um relacionamento entre nações amoral, onde o carniceiro de hoje é o agente de amanhã e o traidor de depois. Os testemunhos do julgamento de Barbie são arrepiantes e de colocar lágrimas no mais másculo dos crocodilos, a captação das expressões de antigos agentes que assumem erros é lapidar, e o filme segura-se na ponta da faca. No fim, para além de um belíssimo documentário, sai-se da sala com vergonha de habitar este planeta. E não é nada connosco. Fará se fosse. Lembram-se de Anne Frank? Era de Barbie que fugia....at 19:48 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
[Riscos e Ensaios] Antoine d'Ágata não é um realizador qualquer. Aliás, se quisermos ser bem concretos, não é um realizador. É, isso sim, um fotógrafo brilhante, que entrou para a agência Magnum como associado e está desde este ano como membro de pleno direito. O trabalho de Ágata é duro, corrosivo, à procura das margens negras do humano. E portanto Aka Ana, atrevo-me a dizer que talvez o filme que criou maior expectativa no festival deste ano, não podia ser algo simples ou banal. O fotógrafo parte, desde logo, de um objecto de ruptura: nada mais nada menos que O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, realizado em 1976 e que marcou uma época (no caso português talvez seja de maior memória a transmissão na RTP2 que enfureceu a igreja há uns anos). O filme de Oshima, provocador e no limite, à data, do pornográfico, tinha enormes premissas intelectuais, e concretizava-as conduzindo tudo pelo centralismo do ser humano no corpo e pelo corpo. O francês, mais de 30 anos depois, recupera as premissas mas desta feita afasta-se do campo amoroso pessoal e vai à procura das profissionais do corpo. Prostitutas, mais concretamente japonesas, e uma viagem na vertigem do limite, próxima, em grande plano, em planos subterrâneos que nos fazem concentrar na carne. Os sessenta minutos de Aka Ana são histórias de prostitutas na primeira pessoa, que discorrem abstractamente sobre o sexo, o corpo e o ser humano, e assumem várias vertentes. No ecrã, filmagens impossíveis de sexo, em imagens queimadas, querendo levar o espectador quase para dentro do corpo alheio. Aka Ana é, assuma-se, uma experiência mais do que um filme. É algo que se experiencia, que tanto pode fazer sentido num cinema como numa instalação, ou numa performance. E se esteticamente o projecto corre na linha de acção de Ágata e é inatacável, já a concretização mental, pelo texto, se perde a meio. Os testemunhos das mulheres, sussurrados, tentam tanto cair no domínio da filosofia, mesmo que construída individualmente e sem procura de estruturação, que se fecham sobre si mesmas. O filme, por fim, acaba por se enclausurar e não comunica com quem vê. "Eu sou assim, absoluto, este é o meu corpo para mim, estou aqui por existir e não para mostrar". Como experiência, Aka Ana é tudo menos dispensável. Mas ao querer tudo para si, acaba por falhar em levar-nos corpo adentro.at 19:09 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
[Competição Internacional] Alone in Four Walls é o primeiro filme, para cinema, da alemã Alexandra Westmeier, e revela-se uma excelente primeira obra. A realizadora seguiu rumo à Rússia para nos guiar numa viagem a um reformatório onde estão detidos jovens com menos de 15 anos, condenados pelos mais variados crimes. Do furto de comida ao assassinato, é um mundo de delitos que está na origem da reclusão das crianças, que ali vemos como definitivos condenados fora de tempo. A realidade tem, porém, duas nuances. Por um lado, trata-se efectivamente de um reformatório, e não de uma prisão. A instituição mete os miudos a trabalhar e responsabilizar-se por si e pelas suas acções. Por outro lado, a origem de muitos dos problemas está na zona cinzenta do alcoolismo de familiares, da ausência parental ou de um clima de abusos físicos. E assim as crianças que num primeiro momento parecem pequenos monstros são, também, grandes vítimas. O trabalho de Westmeier é muito interessante em dois ou três pontos cruciais. Primeiro, porque dá voz efectiva aos personagens principais. Os míudos falam em voz própria, olham a câmera de frente, revelam as emoções mais profundas como se fossem factos e não se escondem de nada, mesmo que as lágrimas venham aos olhos. Depois, a realizadora tem a inteligência de ir à procura do real fora dos quatro muros. Em pontuadas viagens, conhecemos a família, ou o mais próximo dela que existe, daqueles que vimos fechados. Lêem-se cartas que vimos escrever, ou vemos ler ao som de quem escreve. As duas faces da moeda contextualizam algo que parecia a princípio frio e dão todo um novo pano de fundo ao filme. Por fim, Westmeier faz tudo isto sem perder uma noção da imagem como veículo documentador, e não se deixa ficar pelo real filmado. O trabalho de fotografia é fantástico, e o que sobressai sobretudo é a luz, que inunda quase todos os planos. O resultado é um filme luminoso, equilibrado entre o dramatismo de uma realidade incontornável e a ternura de crianças que cantam, por fim, "um menino russo dá o peito às balas". Um bom candidato à vitória final do festival.segunda-feira, outubro 20, 2008 at 13:53 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
at 13:17 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {1 comments}
sexta-feira, outubro 17, 2008 at 00:13 Labels: { Cinema, docLisboa2008 } {0 comments}
domingo, outubro 12, 2008 at 19:07 Labels: { Música, Música de domingo } {0 comments}
Antony & the Johnsons, Another World, in Another World, EP, 2008
quinta-feira, outubro 09, 2008 at 12:16 Labels: { Literatura } {0 comments}
quarta-feira, outubro 08, 2008 at 13:13 Labels: { Cinema, Festa do Cinema Francês 2008 } {0 comments}
Uma das secções da edição deste ano da Festa é Paris-Lisboa, dedicada a filmes sobre as duas cidades e assinalando também os dez anos do pacto cultural entre as mesmas. Para assinalar o início da mostra, que inclui o fantástico Berlarmino, de Fernando Lopes, ou La Traversée de Paris, com Louis de Funès, o IFP escolheu um objecto no mínimo singular. O filme de 21 minutos realizado por Rene Clair é um marco no surrealismo no cinema e está no mesmo patamar que Un Chien Andalou, a obra prima de Buñuel e Dali. E mais do que isso, a sessão de segunda-feira à noite na Cinemateca Portuguesa assistiu à banda sonora ao vivo interpretada e composta pelo francês Jacques Cambra. O filme, escrito por Francis Picabia, é um prodígio e um enorme manifesto de liberdade criativa. Em 21 minutos vêem-se perseguições em telhados, Man Ray a jogar xadrez alucinado com Marcel Duchamps, imagens malucas de Paris, em planos invertidos, sobreposições e sombras, um cortejo fúnebre em que os homens saltam em camera lenta e o caixão foge com um prestidigitador lá dentro, sorridente e maquiavélico. Realizado em 1924, Entre'acte é um enorme símbolo do surrealismo, em tom burlesco, e do início das vanguardas, da liberdade máxima na criação de algo. O visionamento é delicioso, e a cada momento se descobre algo novo, permitindo também a redescoberta da imagem em movimento enquanto meio técnico ao serviço do melhor que o humano consegue fazer e pensar. Descobrimos o próprio filme no Youtube, e tomamos a liberdade de aqui o deixar, na consciência que não é o mesmo (nunca é) do que o ver na tela. Mas ainda assim, é quase que uma obrigação olhar para Entre'acte.at 12:56 Labels: { Cinema, Festa do Cinema Francês 2008 } {0 comments}
Bord de Mer passou em Cannes em 2002 e nunca foi estreado em Portugal. Ainda bem. E bem dispensava agora a participação na Festa do Cinema Francês. O filme de Julie Lopes-Curval olha para uma comunidade costeira de praias de seixos e indústria familiar e tenta oscilar entre a depressão invernosa e a aparente normalidade veranil, mas nunca consegue ser um filme a sério. A aposta no tom melancólico é falhada em toda a linha, as interpretações banais, o argumento dependurado. Todo o filme acaba deslassado, sem consistência, com meia dúzia de imagens felizes às quais ninguém dá seguimento. As personagens acabam por se constituir uma caricatura de si mesmas, e perdem o suposto realismo manifestado de início. O resultado é um filme sonolento mas que não deixa dormir. Totalmente dispensável.