Sol, Expresso

Há duas semanas tentei comprar o primeiro Expresso de cara lavada e não consegui. Comprei o Público. A semana passada tentei comprar o primeiro Sol e não consegui. Comprei o segundo Expresso. Ontem comprei o segundo Sol. E a verdade é que não li o segundo Expresso (tinha a Maria Elisa na capa, desmotivou-me), mas li o primeiro Sol. E a verdade é que a coisa até nem está muito mal feita. Os textos pareceram-me razoáveis. O grafismo desempoeirado. Tem espertezas como um apanhado dos textos na imprensa estrangeira sobre Portugal e vice-versa. Tem duas páginas de Marcelo Rebelo de Sousa, o que é um exagero. Tem umas páginas a piscar o olho a um público mais feminino e menos institucional. Tem a Margarida Rebelo Pinto a falar do kamasutra de forma tão necessária como o Sporting a ganhar o campeonato com 10 pontos de avanço (ou seja, tão desnecessária como utópica e delirante). E tem, pelo que eu percebi, muita gente a comprar porque o Expresso, com a palermice dos DVDs gratuitos, esgota que nem ginjas. Há muito bom pai de família que, do alto do seu fato de treino roxo e branco, compra o dito por causa do DVD, e depois despaxa a revista para a madame e usa o resto para limpar a vareta do óleo do Mercedes de 1988 (à cara da Maria Elisa, vá la). Claro que o Sol tem o Saraiva e isso podia criar engulhos na vontade de dar os 2 aéreos. Mas fiquei com vontade de comprar para a semana. Até porque começa, felizmente, a chover (claro que tinha que existir um trocadilho pateta neste texto). A ver vamos.