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Vénia do dia: Fleet Foxes

Superbock em Stock

Mesmo o consumidor mais distraído tem noção que, em Portugal, e mesmo um pouco por todo o lado, a época dos festivais de música é o Verão. Porque há férias. Porque os grandes terreiros de pó, junto ao rio ou à praia, convidam a banhos, sons e bejecas no pino do calor. Porque os amigos unem-se em maiores grupos. Porque há amores efémeros e noites esquecidas ou lembradas. O resto do ano passa-se a saltaricar de concerto em concerto, em sala fechada, grande ou pequena. Os grupos são menores, e os preços bem maiores. A Superbock, como grande marca de cerveja que se preze, aliou-se há muito aos festivais de música (ou não fosse o Verão o pico de vendas do produto). E este ano avança com uma ideia quase revolucionária: um festival de música em pleno Outono avançado, já a espreitar o Inverno. Claro que o figurino não podia ser o mesmo, senão facilmente teríamos wrestling feminino na lama. E daí os senhores da Unicer pensaram na coisa de forma bem diferente: durante dois dias, todos os espaços disponíveis na Av. da Liberdade, mesmo os mais raros, acolhem nomes do cenário musical actual em pequenos concertos. O bilhete é único para os dois dias, 3 e 4 de Dezembro, e a ideia será andar a saltar do Tivoli para o S. Jorge, ou do Parque Mayer para o Maxime. Reconhece-se uma programação que quer aliar novos valores nacionais com nomes lá de fora. E, perdoem-nos os restantes, mas todos os holofotes vão para Santogold, Lykke Li, Ladyhawke, El Perro del Mar, Peixe:Avião, Deolinda e Zita Swoon. Este é daqueles que ou pega de estaca ou morre à nascença. A ver vamos se alguém ajuda à sobrevivência da coisa.

Música de Domingo XV



Joan as Police Woman, To Be Loved, in To Survive, 2008

Mulheres levadas da breca XIII

Joan Wasser

Música de Domingo XIV



Antony & the Johnsons, Another World, in Another World, EP, 2008

Música de Domingo XIII



Flobots, Handlebars, in Fight With Tools,, 2008

Vénia do dia: Tv On The Radio

Vénia do dia: Antony and the Johnsons

Radiohead ao vivo, para audição geral

Cite-se um blog que cita um site: o Sound + Vision, projecto de João Lopes e Nuno Galopim dedicado precisamente à imagem e ao som, nas suas infindáveis expressões, alerta para talvez um dos mais extraordinários concertos das últimas décadas. São os Radiohead ao vivo no Santa Barbara Bowl, a 28 de Agosto último. Foram mais de duas horas a revisitar não só o último In Rainbows mas também tudo o resto, de Pablo Honey a Kid A, de Amnesiac a The Eraser (o trabalho a solo de Thom Yorke), num exercício musical (e visual) de difícil adjectivação, diz quem viu. O texto de João Lopes sobre isto está aqui. Mas sublinhe-se o apontar para o texto de Bob Boilen, batido nas andanças de concertos, no seu programa All Songs Considered, para a NPR. Numa era de contínua apropriação de informação com a tarefa incólume de a "vender" como originalidade descoberta por motu próprio, saúda-se a ética e saúde do blog português, escrita e mostrada todos os dias por dois dos maiores profissionais e interessados na área do som e imagem. O texto de Boilen está disponível aqui. E, enorme rebuçado, o concerto também. Tal como outros, como dos Fleet Foxes ou dos Spiritualized, por exemplo.

Música de domingo XII



Interpol, Pioneer to the falls, live at the Astoria London

Vénia do dia: Portishead

Vénia do dia: Lykke Li

Objectos Felizes III

Thelonious Monk dispensa apresentações. Muitas vezes visto como fundador do bebop, para além do reconhecimento como um dos grandes nomes da história do jazz, e sobretudo do piano e da improvisação, o americano deixou a sua marca no século XX e seguintes. Faleceu em 1982. Agora, agora que o vinil é coisa de velhos, de discotecas ou de melómanos, vale a pena olhar para a edição do concerto que o quarteto de Monk deu no Carnegie Hall com outro mito, John Coltrane. A 29 de Novembro de 1957, a sala nova-iorquina tinha um cartaz à porta que mencionava como alinhamento Billie Holiday, Dizzy Gillespie, Ray Charles, Chet Baker e Monk com Coltrane. Era o "thanksgiving jazz", diziam eles. A presente edição tem apenas a parte de Monk e Coltrane (impossível ter tudo num vinil claro), mas já por aí compensa. Do alinhamento, onde o lado B podia ser o A e vice-versa, constam as grandes "Epistrophy" ou "Blue Monk". A edição é primorosa no trabalho de contexto, com textos sobre não só os músicos mas também a Nova Iorque de então ou da ligação entre Monk e Coltrane. Sendo uma reedição, convém sublinhar que o album original entrou, em 2007, para o Grammy Hall of Fame, e que esta edição, em vinil, é uma reconstrução da gravação original, em termos de som. E já agora: que o concerto foi de beneficiência para o Morningside Community Center. Já não se faz música assim.

Vénia do Dia: Thelonious Monk

Objectos Felizes II

O gajo é brilhante. Já o era nos Ornatos Violeta (que só no fim de carreira foram devidamente reconhecidos), já o é nos Pluto, nos Supernada, em Tenaz, e agora sozinho. Manel Cruz é talvez a melhor coisa que aconteceu à cena musical portuguesa nos últimos tempos. O novo projecto que, reza o mito, começou há muitos anos, tem o espantoso nome de Foge Foge Bandido, e é isso mesmo, um projecto. No caso, é um livro de 140 páginas e um duplo CD. O livro é profundamente ilustrado pelo Manel. Os CDs, de nome O Amor dá-me tesão e Não fui eu que estraguei, têm cerca de 40 faixas cada um. Faixas. Porque lá dentro há catalães aos berros nos anos 40, há electrónicas e acústicas, há fodidas e lixadas, há letras do outro mundo, há missas de uma igreja em brasileiro aos berros, com o Manel a beter o bedelho, há um casal com mau hálito e alguém que aprendeu a ser puta na TV, há histórias de amor, e uma vida de merda, franceses romanceados, alguém a bater à máquina, pedidos de liberdade para macacos. "Ninguém é quem queria ser/eu queria ser ninguém". O Manel pensou que isto era bom demais para aparecer aí nas esquinas dos hipermercados e vai daí a coisa só existe, e bem, via CDGO.COM, com a chancela da Turbina. A primeira edição voou, e parece que a partir de dia 30 há uma segunda. A complementar, o espantoso site do projecto, com tudo desenhado pelo Manel, músicas para audição, vídeos, o diabo a quatro, num tremendo exercício de criatividade e bom gosto. Está, claro está, em FogeFogeBandido.com. E para quem estiver ou passar no Porto, até ao fim do mês, estão expostos os desenhos originais que fazem parte do trabalho, mais concretamente na Gesto Cooperativa Cultural, na rua Cândido dos Reis, 64. A ver, comprar, ouvir, ouvir, ouvir. "Imaginem um abraço/o meu queixo pousado no teu ombro/e eu viajando no teu cheiro pelos/trilhos do silêncio/é o cenário possível de um homem/sozinho de cerveja na mão/sentado na varanda olhando a lua e a/comer pimentos padrão/comê-los contigo era perfeito como/olhar esta cidade à noite/olhá-la contigo era pensar noutras/formas de ver".

Vénia do Dia: Radiohead

Vénia do Dia: Beck

Vénia do Dia: Martha Wainwright

Sigur Rós reinventam-se

É, verdade seja dita e a avaliar pelo single, um corte com o passado. Os enormes Sigur Rós avisaram terça-feira que em Junho há novo álbum de originais, acabadinho de gravar. E o primeiro single e clip de avanço é Gobbledigook. Na prática, isto é Sigur Rós com cara de Animal Collective. Ou a versão que os Animal Collective nunca conseguiram (ou quiseram) fazer de si. Mais uma vez, os islandeses inovam. Nada disto é boreal. Mas é Sigur Rós (vénia).

Barcelona da arte, da cultura, da música, do frikismo


A ida ao "estrangeiro", como se dizia há não muitos anos, traz sempre a sensação da mediocridade local perante o espanto e fascínio do que se passa lá fora. Ainda que tente contrariar esta ideia, e veja-se a inusitada agenda de concertos em Portugal este ano, é quase inevitável que se olhe para o que se faz aqui ao lado, ou ali mais à frente, para não ir mais longe, como algo digno de nota. Vejam-se as exposições nas duas maiores instituições de arte e cultura de Barcelona neste momento. No Macba (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona) convivem uma sensaborona colecção fixa com uma temporária sobre Nomeda & Gediminas Urbonas. O casal lituano, que confesso desconhecia por completo, desenvolve trabalho na área dos new media aplicados à arte, com a particularidade de olhar para uma dimensão social da mesma sem tiques de neo-realismo. O resultado, a avaliar pelo que está no MACBA, é um dos movimentos mais interessantes de nova arte que conheço, que tanto se ocupa da produção de som a partir da sombra criada sobre sensores de luz, como da criação de uma consciência real sobre os cinemas desaparecidos de Vilnius. A exposição patente na capital catalã, sob o tom dos dispositivos para a acção, dá uma boa ideia da atitude pro-activa, motivadora e esteticamente comprometida (para o bem) dos novos valores da Europa de Leste. Poucos metros à frente, o CCCB (Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona) dá a ver uma iniciativa sua: "Magnum. 10 Sequências". De uma profunda inteligência, a mostra parte da inversão da comum interpretação do cruzamento do cinema com a fotografia e pediu a dez fotógrafos da agência Magnum para olharem para si e para os filmes que criaram, inconscientemente, as suas fotografias. O resultado é uma exposição brilhante, com uma instalação pensada ao milímetro e no gume do bom gosto, onde se olha, de frente, para as zonas de confronto da imagem fixa com a imagem em movimento (e por vezes a imagem-movimento, se quisermos pensar em Deleuze) e como a segunda pode também ser contaminada pela primeira, transformando fotógrafos em agentes da imagem perturbados por cinema que lhes é anterior. Da parede para o ouvido, a cidade promete um Primavera Sound com dose dupla de Portishead, com Animal Collective e Rufus Wainwright, com Cat Power e The Go!Team e MGMT e Matt Elliott e Okkervil River e Vampire Weekend e dezenas de outros concertos, num festival de dimensão europeia dividido em inúmeros espaços pela cidade. E perante tudo isto, liga-se a televisão e Rodolfo Chikilicuatre destrói o velho do Restelo em cada um de nós, fazendo recordar que também o jardim do Éden tinha maçãs fora de prazo. O representante de Espanha no decadente Festival da Eurovisão (evento que ontem proporcionou momentos de puro delírio), escolhido pelo público, invadiu o país com o chiki chiki, não dando hipótese a qualquer outro produto para o Verão de 2008. O El País de ontem enchia páginas com a discussão em volta do apoio e patrocínio do Instituto Cervantes e da TVE ao personagem bizarro, e na rua não há criança que não saiba a letra da bizarma musical. Antes do dito Festival, a televisão pública mostrou alargado debate sobre Chikilicuatre, com previsões sobre o resultado em Belgrado, os principais concorrentes e directos para a capital sérvia, atirando Rodolfo como a oitava maravilha do continente, desta feita saído, provavelmente, da Chueca. No limite, sendo que o saldo de tudo isto é positivo, há sempre dois lados da mesma moeda, e ambos sorriem.