21€

Estive para postar sobre o tratado constitucional na noite do "Non" francês, e depois na do "Nee" holandês. Das duas vezes, uma vozinha chata da minha cabeça martelava-me: "não fales sem ler, tens que ler primeiro o tratado, senão não faz sentido, não fales do que não sabes, lê primeiro". Fraco como sou, não disse nada, porque tive aquela que seria uma ideia feliz: comprar o tratado na Feira do Livro, juntando o útil ao agradável. Ontem desloquei-me à dita, que agora começa no pirilau do Cutileiro e alarga-se até às gruas do marquês (alguém repara na ligação gráfica?). Em dia de jogo da selecção, e com o IVA prestes a passar para 21 por cento, não eram muitos os que se arrastavam entre a "barraquinha das bíblias" e seccção infantil. Objectivo n.º 1: comprar o guia de Bruxelas, Gand, Antuérpia e Brugges mais barato que na FNAC. Ao fim de 10 minutos: conseguido. Objectivo n.º 2: comprar a versão portuguesa do tratado constitucional europeu. E aqui a porca torce o rabo (não costuma vir torcido de nascença? não tenho visto a Quinta das Celebridades, não sei...). Meus caríssimos amigos, neste país, um documento sobre o qual muito possivelmente seremos chamados a opinar (ainda que de forma maniqueisticamente democrática) custa 21€ na Feira do Livro, e só há uma edição! 21 EUROS EM PROMOÇÃO! UMA EDIÇÃO! e ninguém reclama! Aliás, não vi ninguém minimamente interessado. Caramba, ninguém quer ler aquilo? Só o Pacheco Pereira é que tem uma? Quantos deputados leram o documento? CARAÇAS, QUE PAÍS É ESTE? Como bom português, vou tentar arranjar o documento na internet, lê-lo, e depois formar a minha opinião. E se arranjarem maneira de não haver referendo, faço como fiz quanto à extinção da editoria de Cultura da Agência Lusa: envio um e-mail ao nosso primeiro. Cujo gabinete até respondeu....