Catalysts!

Oficialmente, a coisa reza assim: "Um projecto de colaboração que reúne designers de todo o mundo, Catalysts! aborda a relevância e o impacto do design de comunicação na cultura contemporânea. As linguagens visuais do design tornaram-se parte integrante da nossa percepção colectiva. Tanto os trabalhos de designer gráficos profissionais quanto as intervenções amadoras no espaço público remetem para uma enciclopédia visual global comum, difundida através de uma rede de meios interligados em permanente expansão."

Na prática, tirando o jargão institucional do projecto, o que está no Centro Cultural de Belém desde quinta-feira passada é um conjunto de obras, na sua esmadora maioria auto-reflexivas, que tentam fazer pensar um pouco sobre o design de comunicação e a sua interligação com a cultura contemporânea. O espaço de instalação da exposição não é brilhante, provocando um excesso de material e a sensação de "não fuga" que já se sente em termos sociais. Mas o melhor é mesmo o filme de Rob Shröder. Intitulado "PÂNICO MORAL - O cérebro estilhaçado de um viciado em televisão", parte das muitas horas de gravação, ao longo de décadas, que Rob fez. O "viciado" no título significa que Rob viu, durante anos, televisão em três ecrãs simultaneamente e foi gravando tudo o que lhe parecesse chocante, fora do comum, bizarro, importante. O resultado é o melhor de "Catalysts": perto de 60 minutos de imagens montadas a alta velocidade, de Bush a piscar os olhos a crianças a morrer de fome, da picareta a mandar o Muro de Berlim abaixo a Arnold Schwarzenegger nos tempos de Mister Universo, de Michael Jackson a Madonna a simular felatio com uma garrafa de Pepsi. O resto da exposição centra-se no design de comunicação nomeadamente na vertente "publicidade", com toques de crítica social e auto-crítica. O filme de Rob vira o bico ao prego e indexa milhares de imagens que fizeram o século XX (e início de XXI), retirando-as do seu contexto específico e colocando-as entre as suas pares. No fim, a sensação é um "isto somos nós" que é muito amargo...