Dia 3: Antuérpia

Chuva. No comboio verde de um lado, verde do outro. Vacas. Planura total. Sint-Niklaas, alguns edifícios, pouco movimento. Antuérpia pouco depois. A estação uma Santa Apolónia elevada ao cubo. Finalmente uma estação (não um apeadeiro). No centro, praça com esplanadas. Homens de ar holandês amontoam o que será um palco. Torre disparada ao céu na rua por trás. Outra mais ao fundo. Chuva. Seis crianças circulam de bicicleta sem chapéu, passando por baixo dos repuchos de uma fonte. Como se não chovesse. Rua em curva larga, restaurante italiano, tailandês, italiano, francês, italiano. A meio um arco, entrada para um pequeno túnel de acesso a um edifício. Outro túnel à direita, uma porta de jardim, duas cadeiras, uma mesa de ferro, heras. Chuva nos saguões. Duas crianças sentam-se com o pai, pedem um refresco. Cinco e dez anos, talvez. A mais nova apoia a cabeça no braço dobrado sobre a mesa e chucha no dedo polegar, discretamente, de olhos fixos. Sol. Basílica gótica inteiramente pintada de branco, com manchas negras atrás das figuras esculpidas que dão a face à nave central. Vitrais brancos, sem cores. Luz. Junto ao rio, debaixo de chapas de metal, barcos antigos amontoam-se. A vista de rio em curva larga, com Atena amnésica a olhar a entrada em pose firme. Ao fundo torre. Uma chinesa mergulha sozinha, quase virgem, num tacho de mexilhões, cujas cascas vazias assistem ao festim numa travessa centímetros ao lado, com vista frontal desafogada. Um passo ao lado e a vertigem da bicicleta como arma de arremesso. Faces limpas, corpos esguios, olhos claros e pouco marejados. Sorrisos frios, quando sorrisos. Sol.