Anti-listas 2

O post anterior não era para ser nada daquilo, mas enfim. Voltando à vaca fria, ou seja, à história das listas, há anos em que se olha para uma lista de discos ou de filmes ou de livros, e tirando os primeiros dois ou três o resto é refugo. É o melhor porque não havia mais nada, ou porque o resto era tão mau que teve que se meter aquilo. São os "anos-zero" em que o que é que se passou de jeito na cultura? Zero. 2005, para o bem e para o mal, não vai entrar nas calendas (como se alguém se vá lembrar daqui por algum tempo disto) como um "ano-zero". Em termos de música, por exemplo, o padrão de qualidade das edições de 2005 é francamente bom, no panorama internacional pelo menos. Há Arcade Fire, debutantes. Há Animal Colective. Há Sufjan Stevens. Há Paul McCartney com o melhor album da carreira a solo. Há Rolling Stones com o melhor das últimas duas décadas. Há Depeche Mode com um dos melhores da carreira. Há Fiona Apple melhor que nunca. Há Kate Bush de regresso em grande. Há Kanye West a baralhar o mainstream. Há Nine Horses. Há Vetiver, Eels, Sofa Surfers. Há Bernardo Sassetti em várias frentes. Há Clã ao vivo. Há Antony. Há Rufus Wainwright. Há Efterklang, Gorillaz, Andrew Bird, White Stripes, Sigur Rós, Patrick Wolf, Brian Eno, LCD Soundsystem, Jamie Lidell, Khonnor. Caraças, há uma dificuldade em fazer uma lista de primeiro para último. Deixem lá as listas.