Errr.... Natal

Ora vamos lá a isto: se há época do ano que abomino (do verbo abominar) é o Natal. Vêm-me à cabeça os adjectivos "execrável", "ímpio", "sacrílego" e outros de igual calibre linguístico. A única outra época, se podemos apelidar assim, de calibre aproximado na minha escala de ódio, é a passagem de ano. Porque vejamos: o Carnaval é completamente idiota mas é a única festa de origem pagã que resta. A Páscoa resume-se a um domingo em que a RTP e a TVI se lembram de passar uma missa e umas centenas de portugueses vão almoçar à Ericeira. As férias de Verão são o apelo nacional à histeria da bejeca com caracóis, em que cada um acha que a vida é linda, e a praia é do camano, e os amigos são do caraças, e vai disto! Agora Natal, caramba, Natal bate tudo. Tem a idiotice do Carnaval, acrescida pelo facto de ser de natureza familiar, tem a missa da Páscoa acrescida de quem não mete lá o cu o resto do ano, tem a histeria das férias de Verão mas sem bikinis ou caracóis, e muito mais, tem o trânsito num pandemónio, tem um país parado porque decisões "só depois das festas", tem hipocrisia às compras nas lojas dos chineses, tem jantares de grupo onde se apanha a bebedeira da época de Inverno, tem piadas sobre a vida sexual das renas, tem jantares de gente intimamente odiada ou desencontros de gente desencontrada, tem menos gatos nos beirais. Não tem nada para mim.