IndieLisboa2007: conclusão

Como em anos anteriores, a meio do evento dá-me a preguiça e perco a vontade de escrever sobre os filmes todos. Depois destes aqui em baixo, ainda vi uns seis, do qual se destaca "Rio Turvo", do Edgar Pêra. O novo projecto do português é mais críptico do que o habitual, mas não deixa de ser um risco visual, o que é sempre de aplaudir. Teresa Salgueiro surge mais lasciva que nunca, Manuel João Vieira dentro do estilo cinematográfico habitual, Pêra fez o melhor que pode com pouquíssimos meios. O resultado, uma história a partir de Branquinho da Fonseca, é um deambular quase onírico nas margens do Tejo, que se descreve melhor como um exercício de estilo do que como uma obra estruturada enquanto filme. Em termos globais, o Indie parece ter atingido a maioridade. Foram exibidos 250 filmes, de todos os géneros e feitios, dentro do cinema independente. A organização pareceu uns furos acima, e o factor "número de salas" faz bastante diferença. Por outro lado, continua a pecar-se pela falta de estruturas de apoio nos cinemas (bares, cafés, etc) e algum amadorismo nos existentes. Quanto a premiados, Falkenberg Farewell teve um galardão menor, Pas Douce, uma excelente longa de Jeanne Waltz, vê a distribuição comercial em sala à vista e Love Conquers All, de Tan Chui Mui, acaba com o prémio máximo (em ex-aequo com El Amarillo, que não vi) depois de me ter feito adormecer uns minutos. O que quer dizer que ou eu não percebo nada de cinema, ou há júris que mais valia estarem quietos. Para o ano há mais.