[IndieLisboa08] Pas a Nivell (***)

[Competição Internacional] O único filme espanhol em competição é profundamente espanhol , pelo menos no ambiente que transmite. Rodado em Girona, estância balnear da Catalunha, com Barcelona no horizonte, o trabalho de Pere Villà segue Marc, um jovem em final de adolescência. E tudo em Marc é atípico, ainda que existente. Confrontado com uma nota positiva no exame final de liceu, Marc desde início dá o mote: pede para a nota ser revista em baixa, para chumbar. Recusado o pedido fora do comum, as duas horas seguintes mostram um espanhol perdido, sem saber o que fazer, incluído numa família comum a braços com problemas comuns (divórcio por formalizar, falta de relações afectivas profundas), e claramente espanhol, ou mediterrânico se se quiser. Marc passa o Verão a transportar turistas para desportos aquáticos, dorme sestas por inaptidão de fazer algo mais, vive com uma avó catalã que lhe ensina as Sardanas. Marc é um atípico jovem urbano porque sem círculo de amigos, sem festas à noite ou mil namoradas. Mas o catalão é típico numa juventude mediterrânica mais comum do que se possa pensar: perdida no horizonte profissional, perdida numa sexualidade ainda não revelada por timidez e que encontra numa prostituta de beira de estrada a imagem para uma masturbação de duche, perdida à beira da praia diluindo-se num calor abrasador que reduz toda a actividade. É uma outra adolescência, a de Marc. Não devora experiências em ritmos reconhecidos, mas antes fantasia com as mesmas. Não se esvai em espontaneidade social, mas antes se refugia num núcleo familiar já de si frágil. Marc fala pouco, e felizmente o filme fala por ele. Porque é apenas aqui, em conteúdo, que o trabalho de Villà se salva do purgatório. Em forma, Pas a Nivell é um filme contaminado pela temperatura e pela languidez dos personagens e do contexto, mas que se arrasta de forma desnecessária a espaços, tornando-se difícil de ver. O espanhol filma de forma seca, directa, quase simbólica, e se o espectador tiver um pouco menos de paciência tudo de perde porque o realizador insistiu demasiado na linha. Interessante apenas, Pas a Nivell poderia ser mais. Mas não é.