[indieLisboa2006]: Double Suicide Elegy (**)

É, até ao momento, a minha maior desilusão. Double Suicide Elegy é idiota até à medula. A primeira longa-metragem do japonês Toru Kamei faz muita coisa que não se deve fazer: arma-se ao pingarelho, aposta em filosofia barata, é perfeitamente desequilibrado em termos de forma, não acaba onde deve. O argumento assenta em Kyoko e Bandai, uma agente imobiliária e um advogado de yakuzas que reconhecem um no outro os traços de desespero que os assola. Perante um "contrato" entre os dois estranhos, que passam duas horas por dia no mesmo quarto, o filme aposta no suicídio como objectivo nunca concretizado. O japonês ainda segura o filme dentro de determinada onda até à hora, altura perfeita para encerrar uma espécie de alegoria sobre a vida moderna e a forma como a psique individual pode ou não ser acedida por outros. Não seria um grande filme, mas passava no teste do "interessante". Só que como não se fazem longas-metragens de apenas uma hora, o senhor teve que esticar a coisa mais uns trinta minutos. E o que é que decide fazer? Mete a esposa e esposo dos personagens centrais ao barulho, com vinganças idiotas, crises de cíumes, e descobertas desnecessárias. A coisa descamba, a onda psicológica perde-se por completo e o resultado é um filme que devia passar a ser a nova definição de "idiotice", que acaba a tentar recuperar algum elan, o que só torna as coisas piores. Se este leva a taça, eu arrumo as botas (cinematográficas).