Jesus e o Metro

Eu adoro o Metro. Metro, o jornal, entenda-se. Se bem que não tenho nada contra o metro, o meio de transporte. Mas não tem tanto salero. Metro, o jornal, é que é. Na edição de sexta-feira, dia 7, a página 7 (acham que tudo isto é coincidência?) tem uma noticiazinha discreta, assinada por Daniel Denisiuk, do Metro Polónia. Diz o Daniel que:

Jesus terá caminhado sobre uma camada de gelo num lago da Galileia e não sobre água em estado líquido, como referem três dos quatro textos do Evangelho, segundo um estudo publicado esta semana na revista científica americana "Journal of Paleolimnology". Esta surpreendente declaração é do cientista Doron Nof que, em entrevista ao METRO Polónia, garante que Jesus Cristo aproveitou o facto de, na época, no Norte de Israel estar muito frio e caminhar pelo gelo no lago Tiberíades, que teria "dez a quinze centímetros de espessura e 30 metros quadrados". Questionado como era possível Cristo ter ido ter com um barco, o cientista respondeu não estar seguro de que "tenha ido tão longe" como se quer fazer crer. Doron Nof, professor de Oceanografia na Universidade de Miami, EUA, explicou ainda que, como a camada de gelo estava parcialmente coberta de água, os observadores (os apóstolos), situados a alguma distância da cena, não veriam o gelo e poderiam acreditar que uma pessoa estivesse "a caminhar sobre a água". Doron Nof também explicou o caso de Moisés, que terá separado as águas do Mar Vermelho. Segundo Nof, foram os ventos moderados a soprar durante horas no golfo do Suez que afastaram as águas de fraca profundidade num muro de 2.5 metros de altura. Depois, bastou uma simples mudança na direcção dos ventos para fazer desmoronar esse muro de água.

Mais à frente, o Metro revela que em Portugal há dois milhões de pobres e que muitos são empregados. Os dados, que representam 20 por cento da população, são do Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, o padre Jardim Moreira. O religioso, sem nunca revelar os critérios que lhe permitiram chegar a semelhante cifra, tem ainda pérolas como "o trabalho tem que estar ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço do capital". Ainda mais à frente, o Metro promove "a revolta dos piqueniques". Pode ler-se "durante a semana, prepare uma merenda e aproveite a hora de almoço para descansar ao ar livre. Vais [assim mesmo, na segunda pessoa] ver que o resto do dia sabe bem melhor". Eu adoro o Metro.