Festa do Cinema Francês 2008: Les Femmes de L'ombre (***)

Jean-Paul Salomé não é um estudante de cinema. Ainda que o início de carreira tenha sido marcado pela TV, o francês já está longe de ser um novato, e estará associado, sobretudo, ao seu anterior filme, Arsène Lupin. E Les femmes de l'ombre, que ontem marcou a abertura do evento no S. Jorge, não é um produto inacabado nem sequer imberbe. É um filme sólido. Mas isso não faz dele um bom filme. A história de Louise é verídica: próxima da resistência francesa em 1944, foge para Londres para ser envolvida numa operação de resgate de um britânico capturado em França. O geólogo inglês andava nas praias da Normandia a fazer levantamento do terreno para ajudar à preparação do desembarque que viria a pôr um ponto final à Segunda Guerra Mundial, e tem que ser recuperado por uma equipa de quatro mulheres e um homem que dão o corpo ao manifesto. São, assim, duas horas à volta de espiões amadores e oficiais das SS sem influência junto de Hitler, mas que querem escalar a montanha do poder. Onde é que Salomé faz as coisas bem? No ritmo, e na capacidade de contar uma história. O argumento é bem construído, e o filme não peca por aborrecido ou partido aos bocados, o que é de saudar. E onde é que Jean-Paul falha? Em tudo o resto. Filmado de forma banal e académica, Les Femmes de l'ombre limita-se a mostrar uma história durante a guerra, nunca conseguindo transpor a barreira do ecrã para a universalidade. A ocupação de Paris parece um fait-divers, os nazis, com olhos de carneiro mal-morto, fazem um frete em ser desumanos e chegam a dar a escolher entre execução e deportação ao prisioneiro. As interpretações são básicas à excepção de Sophie Marceau, amadurecida e competente, e Julie Depardieu, que vai ganhando fôlego ao longo do filme e se afirma na última parte. Não por acaso sublinhámos no início que a experiência de Jean-Paul Salomé passou pela televisão. Precisamente este Mulheres de Guerra, com estreia comercial em Portugal agendada para a próxima semana, está mais próximo da estética do pequeno ecrã do que do cinema a sério, e esse é um pecado capital a quem quer jogar o jogo da sala escura. Será porventura um filme para públicos ociosos de domingo à tarde, já passados da meia-idade, mas não deixa grandes saudades.

Próximo visionamento: Valse avec Bachir, de Ari Folman, hoje, às 22h, S. Jorge