Motelx 2008: À L'Interieur (**)

Na secção baptizada como Nouvelle Vague do Terror, assim dedicando atenções ao terror francófono, passou À L'Interieur, de Julien Maury e Alexandre Bustillo. Sendo rotulado como um dos mais temíveis e sangrentos filmes do género dos últimos anos, o projecto dos franceses cumpre uma de duas promessas. Da narrativa retém-se Sarah, uma fotógrafa de imprensa que sobrevive a um acidente de viação no qual o marido falece para, semanas depois, dar à luz uma criança. Na véspera do parto, véspera de Natal também, Sarah procura a solidão da sua casa para encontrar uma noite de terror às mãos de outra mulher, cujo fim é claro: ficar com a criança. Regressando às promessas de Maury e Bustillo, a do sangue é totalmente cumprida. Efectivamente À L'Interieur tem sangue às litradas e atira líquido viscoso para o ecrã a ver se o espectador também vai para casa com a roupa manchada. Mas medo ou terror já escasseia, e o filme falha. Se começa por querer apostar no terreno da verosimilhança, rapidamente se perde depois em gore gratuíto e abonecado, com morte atrás de morte a fazer lembrar os velhos tempos de Bela Lugosi e companhia. E existem dois grandes factores para que o filme francês seja um falhanço no que toca a terror. Primeiro, porque abdica, desde início, do factor surpresa. Tudo em À L'Interieur é frontal e visível, transparente, claro, e perde-se toda a zona de sombra que costuma provocar maiores saltos na cadeira. Segundo, porque aposta no terror enquanto nojo, excesso sanguinário que não corresponde exactamente ao convocar do medo. Os últimos quinze minutos são um misto de ridículo e vómito, próprio mais para adolescentes patetas à procura de humor negro para contar aos amigos e chocar as miúdas, do que para espectadores de cinema. Já dizia a minha avozinha que quem não sabe fazer cinema, gasta litros de sumo de tomate e não assusta ninguém.