Última Chamada (***)

Takashi Miike é pouco conhecido do público em geral. A maior parte dos filmes nunca passaram no circuito comercial português, limitando-se a aparições anuais no Fantasporto. No entanto, quase toda a gente sabe que "The Ring", o pseudo-terror norte-americano, é um remake de um "Ringu" japonês, supostamente muito melhor. Ora, "Ringu" é de Miike. E terá sido sobretudo por isso que alguém decidiu estrear "Última Chamada" agora em sala, se bem que apenas numa (deve ser a título de experiência, ou coisa que o valha). Ora, meus amigos, se vão ver o filme à espera de ter medo, ter muito medo, desenganem-se. Porque, para que fique bem esclarecido, "Última Chamada" é Série B da boa. E isso é só para quem gosta. Ou seja, os pressupostos são idiotas (uma chamada perdida de telemóvel que anuncia a morte numa mensagem deixada), o desenvolvimento é tótó, a musiquinha que toca não mete medo nem a um pastor de cabras e as faces assustadas dos japonocas são uma caricatura. É "Última Chamada" um mau filme? Não, longe disso. Não se pode é esperar do vermelho que seja verde. Há que referir, ainda assim, que o pressuposto base do argumento é o mesmo de "Ringu", o que deixa um pouco a desejar. E que Miike já fez cinema mil vezes melhor (sobre isso escreverei em breve). Mas para quem gosta de série B, "Última Chamada" é um bom exercício cinematográfico. Não é caricatural nem exagerado como o de Carpenter, mas ainda assim saber que o monstro levanta a mão e agarra o braço alheio dentro de cinco segundos é um bom divertimento. Miike parece que não sabe filmar mal, e consegue ainda dar umas alfinetadas na sociedade contemporânea e nos seus media, com a tentativa de uma morte "em directo" na TV. No fim de contas, é um divertimento que nem todos se podem dar ao luxo. Ou melhor, muito poucos. Já estou a ver o remake norte-americano da coisa, com pretensões de terror. Aí sim, tenham medo, tenham muito medo!