Vince, o deprimido

Ora, estava eu muito bem a ver uma palhaçada, só com palhaços ricos, e uma moça loira surge a falar numa "tempestade tropical" a dirigir-se para Portugal. Como as moças loiras muitas vezes não são de confiar levantei o sobrolho, mas a imagem de satélite não deixava grandes dúvidas: era uma bola branca enorme, com um buraquinho ao meio. Primeiro pensamento: "m..., eu sabia que devia ter mudado o seguro do carro para abranger tempestades tropicais". Segundo pensamento: "m..., eu sabia que devia ter comprado três vezes mais gelados da Haagen Dazs". Terceiro pensamento: "m..., eu sabia que devia ter ido de férias antes do país ser varrido do mapa". E depois o Instituto de Metereologia e Geofísica português vem dizer que não razões para preocupação. O pânico. O desespero. Lembro-me de ter uns 3, 4 anos e o honorável instituto avisar que ia haver uma tempestade muito forte na zona de Lisboa. O resultado foi uma tarde encaixotado na creche camarária, com portas e janelas diligentemente fechadas, enquanto os pardais saltavam de ramo para ramo aproveitando o sol quentinho nas penas e o silêncio nas ruas. Há minutos, o Público dizia que "em comunicado, o Instituto de Meteorologia informa que a tempestade tropical "Vince" diminuiu de intensidade, "sendo considerada uma depressão tropical" a partir das 09h00". É fantástico como até um projecto de furacão, com os seus objectivos e sonhos, com a sua puberdade a rebentar, se deixa deprimir com a aproximação a terras lusas. Deve-nos ter topado à légua... E já agora, porque é que uma tempestade tropical se chama "Vince", um nome claramente masculino? Mudou de sexo? Estava já a pensar em ser furacão que antecipou-se? Se as coisas estivessem no seu devido sítio, até ser furacão Vince devia ser Felisberta ou Leontina, ou Bertolina como a minha vizinha do rés-do-chão. Depois sim, se chegasse à adolescência, podia mudar para Vince, se quisesse. Se calhar foi por isso que se deprimiu, era uma tempestade num corpo de furacão...